O faturamento das micro e pequenas empresas paulistas caiu 14,4% em fevereiro de 2009 em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo pesquisa do Sebrae-SP, realizada com colaboração da Fundação Seade, junto a 2,7 mil proprietários de pequenos negócios no Estado de São Paulo, divulgada hoje. Segundo o levantamento, a indústria foi o setor que sofreu a maior redução, com queda de 22,7% no faturamento, seguida pelo comércio, com baixa de 15,6% e serviços, com queda de 3,9%.

Apesar do resultado negativo, o Sebrae-SP apontou que as expectativas dos micro e pequenos empresários permaneceram relativamente positivas. Segundo o levantamento, subiu de 47% para 48% o porcentual de empresários que acreditam em melhora do faturamento nos próximos seis meses. Também avançou de 44% para 45% o porcentual de entrevistados que esperam melhora da atividade econômica nos próximos seis meses.

Na comparação com janeiro deste ano, o faturamento das micro e pequenas empresas recuou 3,6% em fevereiro. O setor de serviços foi o mais afetado, com queda de 5,8% na base mensal, seguido por indústria, com baixa de 2,8%, e comércio, com diminuição de 2,7%.

O Sebrae-SP atribuiu a queda no faturamento ao impacto da crise financeira internacional na economia brasileira, que dificultou o acesso ao crédito e provocou uma "reação conservadora" das empresas e dos consumidores em relação a investimentos e consumo. Neste contexto, o Sebrae avaliou que as atividades mais dependentes de financiamento foram as mais afetadas. Segundo Pedro João Gonçalves, economista do Sebrae-SP, os segmentos que mais sofreram foram os bens de consumo duráveis e bens de capital (maquinas e equipamentos).

O Sebrae-SP destacou ainda a forte base de comparação dos dados, já que em fevereiro de 2008 foi registrada a melhor receita real das micro e pequenas empresas paulistas para fevereiro desde 2003. Além disso, o efeito calendário influenciou os resultados, uma vez que fevereiro teve três dias úteis a menos do que janeiro.

O Sebrae-SP informou que vai anunciar em breve parceria com o governo estadual, por meio das Secretarias de Emprego e Relações do Trabalho e Fazenda, para facilitar o acesso ao microcrédito, concedido pelo Banco do Povo, aos empreendedores de pequeno porte, principalmente com os que deverão passar a integrar o segmento como microempreendedores individuais.