Nesta segunda parte da entrevista de Ana Maria Bahiana com James Cameron, o diretor de "Avatar" fala sobre desenho dos personagens, escolhas dramáticas e aspectos técnicos do 3D.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Cameron em um hotel de Beverly Hills, em Los Angeles, um dia depois da primeira exibição do filme aos jornalistas da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Inspiração para a criação do povo de Pandora
James Cameron - Para a tribo Na\'avi nós buscamos inspiração em populações indígenas do mundo todo - o modo de usar o cabelo, os adereços, as pinturas. A mesma coisa para a linguagem e os costumes. Quando conversei com o Dr. Paul Frommer [linguista da USC que criou a linguagem Na\'avi para "Avatar"] sobre o idioma, eu disse: "Por favor, faça algo possível de ser pronunciado pelos atores, mas que não se pareça especificamente com nenhuma língua que já exista. No fim, temos sons das tribos da Indonésia e da América , dos silvícolas da África, nomes inspirados pelos povos da Polinésia. O cumprimento que os Na\'avi tem - juntar as cabeças e respirar juntos - é o "hangi" dos maori da Nova Zelândia.

Inspiração para as crenças do povo de Pandora
James Cameron - Trata-se de um sistema de crenças comum a uma vasta gama de populações indígenas, das tribos da Amazônia aos Druidas. Algo que precede a criação das religiões organizadas e vê a Terra e a natureza como sagradas, possuidoras de uma alma única, uma entidade viva.

Sobre a captura de movimentos
James Cameron - Um dos grandes erros a respeito deste filme é que ele foi realizado como um desenho animado da Pixar em que os atores sobem num tablado e gravam tudo em um dia. Não é isso, de modo algum. É uma interpretação verdadeira, para a qual os atores e os técnicos tiveram que se preparar durante um ano, até que a sincronia fosse perfeita. O meu trabalho de direção dos atores foi idêntico ao de qualquer filme. Não poderia ser de outro modo, pois caso contrário eu não estaria respeitando o momento de cada ator, que é único e sagrado.

Sobre 3D e o futuro do cinema
James Cameron - Espero que algum dia, não muito distante, possamos ver filmes em 3D sem os óculos. Nós vemos o mundo em 3D - é um olhar natural para nós. Quando vemos um filme, nós nos acostumamos a aceitar a limitação do 2D, de que o filme está se passando num retângulo. Isso quer dizer que todos os filmes devem ser 3D? Não. Mas acredito que mais e mais realizadores vão olhar para os avanços que fizemos, pelas possibilidades da filmagem em 360 graus, a captura da movimentos com detalhes e rigor, e incorporar essas técnicas a seus projetos, segundo suas visões. Vejo os filmes tornando-se mais completos e envolventes, que é o que eles devem ser: algo que leva você a uma viagem, uma jornada da mente e do coração.