Abrindo a temporada do Cine Esmal 2010, na noite de 07 de janeiro, a partir das 20h, o cineasta e diretor Nelson Pereira dos Santos, participará da sessão de reapresentação do longametragem Vidas Secas , um marco da cinematografia brasileira. A festa organizada pelo setor cultural da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal) também contará com a participação de atores e figurantes alagoanos que integraram o elenco do filme Vidas Secas, na década de 60.

Além de assistir a sessão de seu filme mais premiado e participar de um bate-papo no auditório da Esmal, o cineasta fará uma série de visitas aos locais que serviram de locações para Vidas Secas. Nelson virá acompanhado do filho Ney Santana Pereira dos Santos, e de César Morais, dois documentaristas que pretendem filmar esse reencontro do Pai do Cinema Novo com a terra onde foram gravadas cenas de Vidas Secas", conta o assessor cultural da Esmal, José Márcio Passos.

Documentário na terra de Graciliano

No roteiro do cineasta em Alagoas estão incluídas visitas à Casa Museu Graciliano Ramos, em Palmeira dos Índios, e a casa onde nasceu o escritor, no município de Quebrangulo.

"Nelson Pereira dos Santos também pretende refazer parte do percurso gravado em Vidas Secas, voltando aos locais que serviram de locações para o filme, na cidade de Minador do Negrão", revela o ator e assessor cultural, José Márcio Passos, responsável pelo roteiro do cineasta em Alagoas.

Nelson e o Cinema Novo

O Cinema Novo foi uma categoria de produção que procurava trabalhos independentes, de baixo orçamento e lutava contra o domínio internacional nas salas brasileiras. Com o lema "câmera na mão, idéia na cabeça", Nelson Pereira dos Santos trouxe questões ideológica e questionou os problemas sociais da época através dos roteiros, sempre complexos. Ao lado de Glauber Rocha, ele tornou-se um dos grandes nomes deste movimento.

Vidas Secas

Baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, o filme Vidas secas foi rodado em 1963. O drama conta a saga de uma família de retirantes composta por Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia, que, pressionados pela seca, atravessam o sertão em busca de meios para sobreviver. Foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca. Neste filme fica perceptível a influência marcante do neo-realismo italiano na obra do diretor Nelson Pereira dos Santos.