O delegado Protógenes Queiroz disse ontem que a participação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi informal. A Satiagraha investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Protógens, que comandou a Satiagraha, é alvo de inquérito interno da PF que apura supostos excessos comentidos por ele na operação.

 

Sem entrar em detalhes sobre a atuação dos agentes, Protógenes disse à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara que a presença da Abin em operações da PF está prevista pela legislação brasileira.

 

"Está dentro da legalidade a participação da Abin em ações da Polícia Federal. E não foi apenas na Satiagraha, foram mais de 160 operações", afirmou.

 

O argumento do delegado é que não houve a formalização da atuação da Abin porque nenhum documento oficial sobre a colaboração dos agentes foi assinado. Protógens disse que o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, admitiu publicamente que houve maior facilidade de cooperação da Abin com a corporação na época em que Paulo Lacerda esteve no comando da agência.

 

"O próprio Luiz Fernando, em entrevista à revista IstoÉ, disse que havia maior facilidade dos órgãos porque o doutor Lacerda era ex-diretor da PF", disse.

 

O delegado manteve à CPI a versão de que vem sendo perseguido dentro da Polícia Federal por supostas irregularidades cometidas durante a Satiagraha. Protógenes disse que teve que recorrer à Justiça para conquistar o direito de ter acesso aos autos da investigação da PF sobre a sua conduta na operação.

 

Protógenes criticou o delegado Amaro Vieira Ferreira, responsável por investigar vazamentos de informação e quebra de sigilo funcional na Satiagraha.

 

"O meu advogado já tinha ingressado com pedido de cópia e acesso aos autos, até então não apreciados. Quando cheguei à presença do delegado Amaro, me apresentou 11 volumes de inquérito e me disponibilizou para que eu tivesse acesso. Eu disse que, naquele momento, não seria possível examinar 11 volumes para ser interrogado. Pedi que ele me auxiliasse para facilitar os trabalhos das investigações", afirmou.

 

O delegado disse ser vítima de "coisas inexplicáveis" conduzidas pela PF. "São duas investigações contra mim, processos disciplinares instaurados, coisas que na Polícia Federal um policial com o histórico como o meu, de trabalhos significativos para o Brasil, estamos aí sem entender. É uma minoria que se predispõe a isso, mas logo logo a Justiça brasileira vai dar resposta a esses atos", afirmou o delegado.