Da Bolívia o país pode importar 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas só está utilizando 20 milhões. A produção nacional poderia também alcançar 30 milhões, mas atualmente é de apenas 22 milhões de metros cúbicos. Entre o gás importado e o que é produzido no Brasil, estão sobrando 18 milhões de metros cúbicos.

 

O principal motivo é o preço. Os contratos feitos pela Petrobras foram assinados antes da crise econômica, quando havia o medo da falta do produto, e o petróleo estava em alta. O gás ficou caro. Assim, muitas indústrias acabaram substituindo o gás por outro combustível mais barato.

 

O preço do gás importado da Bolívia é reajustado de três em três meses, de acordo com a cotação internacional do petróleo, que não para de cair. A própria Petrobras admite que, na última conta que fez com os bolivianos, o preço do gás importado desde o dia 1º de abril caiu 44%. Desta vez, ao contrário do que está acontecendo com a gasolina e o óleo diesel, o consumidor pode se beneficiar desta queda.

 

O anúncio foi feito pela própria diretora de abastecimento e gás da Petrobras, Graça Foster. Ela afirmou que a empresa fará no fim deste mês o primeiro leilão de gás da história e vai oferecer o gás que está sobrando por causa do preço alto. Os compradores são 27 empresas distribuidoras de gás espalhadas pelo país, que depois vendem o produto ao consumidor final, seja ele indústria, carro ou residência.

 

“Essa diminuição do preço do gás vendido pela Petrobras às distribuidoras deverá chegar ao consumidor no momento em que essa distribuidora passar para esse consumidor. Essa é uma decisão das distribuidoras. Se ela não fizer isso, esse leilão não tem sentido nenhum, porque o que a Petrobras quer é chegar através das distribuidoras ao consumidor a volumes maiores e a preço menor”, afirmou Graça Foster, diretora abastecimento e gás da Petrobras.