Judiciário rende homenagens póstumas a major Elza Cansanção

  • Redação
  • 09/12/2009 18:13
  • Maceió

O falecimento da major reformada do Exército Brasileiro, Elza Cansanção Medeiros, primeira voluntária brasileira a se alistar, aos 19 anos, para a Segunda Guerra Mundial, foi recebida com pesar pela desembargadora-presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), Elisabeth Carvalho Nascimento, que exaltou a bravura e o vínculo familiar e afetivo da militar com o Estado.

Filha de um casal de alagoanos, a carioca Elza Cansanção faleceu nesta terça-feira (8), no Rio de Janeiro, aos 88 anos, ostentando a condição de mulher mais condecorada do Brasil, com 36 medalhas, segundo informações do Comando Militar do Leste.

Para a desembargadora Elisabeth Carvalho, os laços familiares e afetivos de Elza Cansanção com Alagoas e sua própria condição de mulher destemida e à frente de seu tempo fazem-na merecedora das mais distintas homenagens das instituições e do povo alagoano. Ela que era descendente de quarta geração de Ana Lins de Vasconcelos, mãe do Barão de São Miguel e do Visconde de Sinimbu, e última baluarte da Revolução Nacionalista de 1824.

Muito requisitada a falar sobre sua carreira militar, a major Elza Cansanção sempre fazia questão de ressaltar suas ligações afetivas com Alagoas, a ponto de manifestar o desejo de que, após a morte, suas cinzas fossem divididas entre o Rio e Maceió.

Breve histórico

Elza Cansanção Medeiros nasceu no Rio de Janeiro, em 1921, filha dos alagoanos Aristhéa Cansanção e Tadeu de Araújo Medeiros, médico sanitarista auxiliar de Oswaldo Cruz durante a campanha contra a febre amarela. Com 19 anos, em 18 de abril de 1943, alistou-se no Exército, passando posteriormente a integrar um grupo de 73 enfermeiras do Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, na Segunda Guerra Mundial.

Foi condecorada com 36 medalhas, entre honrarias militares e paramilitares. As principais são a Medalha da Ordem do Mérito Militar (1979 e 1989); Medalha de Campanha da Força Expedicionária Brasileira, Medalha do Mérito Tamandaré, Meritorius Service United Plaque (Exército Americano – 1944); Medalha de Guerra (1945), Medalha do Soldado Polonês Livre e Medalha Ancien Combatant Du Tatre Du Operacion du L’ Orope – França (a única mulher a receber).

Considerada a guardiã da memória da Segunda Guerra Mundial, publicou vários livros, entre eles: “Nas Barbas do Tedesco”, “E Foi Assim que a Cobra Fumou”, “Dicionário de Alagoanês”, “Eu Estava Lá” e “1... 2... Esquerda... Direita... Acertem o Passo”. Em reconhecimento à produção intelectual, assumiu em 05 de fevereiro de 2004 a cadeira número 3 da Academia Maceioense de Letras, sendo com isso a primeira mulher de carreira militar a se tornar imortal.