“Não sei quantas pessoas salvei, mas guardo o número de doações que fiz e o tempo que me dedico a comparecer ao Hemoal para praticar este gesto nobre”, O relato é do estudante José Janilson dos Santos (31), que há 12 anos é doador de sangue e já realizou 36 doações e já perdeu as contas de quantas pessoas desconhecidas ajudou a salvar com o seu sangue.

 

Mesmo sendo detentores de “super poderes”, já que doam vida e podem salvar inúmeras outras, os doadores voluntários de sangue são considerados jóias raras no Estado, pois apenas dois em cada dez alagoanos doam sangue pelo menos uma vez ao ano.

 

O baixo percentual de doadores requer campanhas de conscientização sistemáticas, já que todos os dias pelo menos 30 pessoas necessitam de uma transfusão. Durante esta semana, que comemora o Dia Nacional de Doador de Sangue (25), a Hemorrede de Alagoas promoveu uma campanha para atender a demanda de doação de sangue do Hemoal e do Hemoar.

 

O motorista aposentado José Ivanildo de Oliveira, 47 anos, que sofre de aplasia medular, pelo menos quatro vezes ao mês comparece ao Ambulatório de Hematologia do Hemoal para receber uma transfusão. Situação que exige da equipe multidisciplinar de captação muito malabarismo, pois sem sangue suficiente para atender às demandas transfusionais, as chances de morte são enormes.

 

Seu José Ivanildo compareceu algumas vezes ao Ambulatório de Hematologia para receber uma transfusão e foi impedido por não haver sangue da tipagem sanguínea que ele necessitava. “Já tive que voltar para Atalaia sem receber a transfusão que necessitava, pois não havia sangue da tipagem O negativa, o que me fez correr risco de morte e entender o quanto os doadores de sangue são importantes e verdadeiros super heróis”, reconheceu.

 

“Casos como esses não são muitos. As estatísticas da hemorrede pública apontam uma situação preocupante: muitos alagoanos doam uma vez e não mais comparecem ao Hemoal ou Hemoar; retornando, apenas, quando algum familiar ou amigo está internado e corre risco de morte, caso não receba uma transfusão sanguínea”, afirmou a diretora do Hemoal, Verônica Guedes.

 

Para garantir um estoque estratégico, além de realizar apelos nos veículos de comunicação, as equipes multidisciplinares percorrem os bairros dos 102 municípios alagoanos, facilitando o acesso para àqueles que não dispõem de tempo e dinheiro para comparecer às duas sedes.

 

“O nosso trabalho é de formiguinha, por isso, temos que primar pela persistência, inovação e sensibilidade para captarmos, a cada dia, novos doadores de sangue”, ressaltou a diretora do Hemoar, Márcia Rocha. Ela informou, ainda, que o projeto Doador do Futuro é uma das ações para captar novos doadores, com equipes que percorrem escolas públicas e privadas, além de faculdades e universidades, para proferir palestras educativas que incentivem os estudantes a tornarem-se doadores.

 

O estudante de enfermagem, Vicente de Tarso, 19 anos, começou a doar sangue este ano e, em menos de 12 meses compareceu ao Hemoal três vezes, garantindo o salvamento de cerca de 12 vidas, segundo ele próprio gosta de relatar. “A picada da agulha é insignificante diante do gesto nobre que representa a doação de sangue”, evidencia, ao revelar que foi estimulado a tornar-se doador fidelizado graças a uma irmã e também depois que iniciou o curso de enfermagem na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).