Todos os dias, mais de 53 mil famílias nos 102 municípios recebem um litro de leite para combater a desnutrição e garantir segurança alimentar a crianças, idosos, gestantes e nutrizes. Somente em Maceió, são mais de 10 mil litros de leite distribuídos diariamente.

A ação faz parte do Programa do Leite, coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e contrapartida do Estado.

Além de oferecer uma fonte nutricional a famílias em situação de insegurança alimentar, o programa garante a compra aos pequenos agricultores por um preço justo. É o caso do presidente da Associação dos Produtores de Leite Samambaia, de Olho D’Água das Flores, Antônio Jérson da Silva. “O preço é uma garantia e esse é um excelente negócio para nós”, revela.

Assim como ele, o produtor de leite Manoel Costa, presidente da Associação Alto da Madeira, de Jacaré dos Homens, conta que se sente mais tranquilo com a venda certa para o programa. “O preço fixo é importante, principalmente quando há uma queda no preço dos insumos agrícolas”, destacou.

Nove associações de pequenos produtores de leite fornecem o alimento, que é processado e empacotado pelos laticínios antes de chegar aos pontos de distribuição espalhados em todos os municípios do Estado. Ao todo, são mais de 360 pontos.

Para receber o produto, as famílias cadastradas devem ter pelo menos uma criança com idade entre dois e sete anos (antes a faixa etária era de seis meses e seis anos), uma gestante ou um idoso com mais de 60 anos, seja ele aposentado ou não, e a renda familiar mensal por pessoa não deve ser superior a R$ 100. As famílias já cadastradas com crianças menores de dois anos continuam no programa, bem como as que têm filhos com mais de seis anos, até completarem sete.

Programa impulsiona a economia

“O MDS disponibiliza 66% do valor total para aquisição do leite, e o Estado entra com uma contrapartida de 34%, além das ações de orientação, capacitação e logística”, explica Inês Pacheco, superintendente de Fortalecimento da Agricultura Familiar da Seagri.

De acordo com dados do MDS, desde que foi criado pela Lei 10.696, em 2003, o Programa do Leite contribui para a ampliação do nível de investimentos em máquinas, equipamentos, instalações de produção, qualidade e higiene do produto.

Segundo a coordenadora nacional do PAA Leite, Zorilda Araújo, em Alagoas as aquisições do PAA Leite chegam a 8% da produção total de leite no Estado e 16 laticínios estão envolvidos no programa. De acordo com o MDS, em todo o Nordeste, 31% dos laticínios que atendem ao PAA Leite foram criados nos últimos sete anos, sob influência direta do programa.

De acordo com Zorilda Araújo, por conta do preço, o PAA tem concorrentes: os grandes laticínios, as queijarias e o mercado informal, que podem oferecer um preço maior ao produtor rural. “Por outro lado, o preço do mercado varia de acordo com a época do ano, sendo menor que o preço do PAA em alguns momentos, tendo em vista que este não varia”, enfatiza a coordenadora.