Mais de 24 horas depois do fim das primeiras provas do concurso da Polícia Militar, o maior realizado na história da segurança pública de Pernambuco, o governo do Estado não soube dimensionar, ontem, as tentativas de fraudes que resultaram na prisão de muitos candidatos e desgastaram a organização da seleção. De manhã, a Secretaria de Defesa Social (SDS) divulgou apenas que a Polícia Civil está investigando o caso, mas ainda encontra-se reunindo as informações para aprofundar a apuração.

O gerente-geral de articulação da SDS, Manoel Caetano Cysneiros, não soube sequer informar a quantidade de candidatos presos ou detidos flagrados tentando fraudar o concurso nas oito cidades onde a disputa foi realizada. A desculpa do Estado foi de que, como as prisões em flagrante e os Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) foram executados em delegacias distintas, do Grande Recife e do Interior do Estado, seria necessário tempo para fechar os números. “Mas estamos investigando. As pessoas flagradas cometendo irregularidades foram detidas e vão responder criminalmente pelo que cometeram. Acredito que amanhã (hoje) será possível chegar a um número”, afirmou Cysneiros.

A estimativa é que mais de 30 pessoas tenham sido flagradas tentando fraudar a prova. Números iniciais apontaram nove prisões e detenções em cidades do Grande Recife e outras 21 no interior. Os casos teriam acontecido em Caruaru e Garanhuns, no Agreste, e em Serra Talhada e Petrolina, no Sertão. Em Serra Talhada, 17 pessoas teriam sido detidas. Em Petrolina, o estudante Amauri Amorim, 25 anos, foi pego com um celular e retirado do local do exame, mas conseguiu sair correndo do prédio com o caderno de prova.

A mesma dificuldade está sendo enfrentada pela comissão organizadora para identificar os candidatos eliminados. “Só teremos essas informações quando a leitura dos cartões de resposta terminar. Começamos o processo hoje (ontem), mas são mais de 100 mil cartões, o que leva tempo. Acredito que teremos essa informação na quarta ou quinta-feira”, explicou o coordenador da Comissão de Concursos do Instituto de Apoio a Universidade de Pernambuco (Iaupe), Gledeston Emerenciano.

Ontem, o Ministério Público (MPPE) informou que não vai se envolver no caso, já que não foi provocado e a polícia teria agido diante das irregularidades. Alguns candidatos, entretanto, garantiram que vão à Justiça. Professores do Núcleo de Concursos Especial (Nuce) identificaram erros e dubiedade em parte dos quesitos de português e direito. Os questionamentos estão no site www.nuceconcursos.com.br.