A violência urbana e a vulnerabilidade das pessoas que têm algum tipo de deficiência foram os principais pontos discutidos na consulta pública prepara-tória ao Plano Integrado de Promoção do Direito Humano à Segurança (Maceió Mais Segura), especialmente voltada aos dirigentes de entidades e órgãos li-gados à defesa de direitos de pessoas com deficiência.

Durante o evento, encerrado no final da tarde de sexta-feira (20), o secretário municipal de Direitos Humanos, Segurança Comunitária e Cidadania, Pedro Montenegro, assegurou que, ainda este ano, a Prefeitura de Maceió deve enviar à Câmara Municipal projeto para inclusão de uma coordenadoria específica na secretaria para articulação das políticas públicas relacionadas aos direitos de pessoas com deficiência.

“A realização da consulta pública e a instalação de uma coordenadoria específica na Semdisc são importantíssimas para nosso segmento, bastante vulnerável, sobretudo, quando se trata de violência urbana, mas também com relação a outras formas de violência: a discriminação, a falta de acessibilidade e, sobretudo a omissão”, afirmou a vereadora Rosinha da Adefal.

O secretário municipal adjunto de Assistência Social, Francisco Araújo, ressaltou que a parceria entre os diversos órgãos do município para promoção do direito humano à segurança vai se refletir, positivamente, em todas as áreas.

INFORMAÇÃO

De acordo com o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas, Luiz Carlos de Oliveira, tem crescido o número de jovens de até 24 anos que procuram o setor de reabilitação da entidade em decorrência da violência, mas não há estatísticas oficiais. “A maioria está na cadeira de rodas, vítima de arma de fogo”, relatou.

O presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Jorge Fireman, destacou a importância do acesso a informações na luta pela inclusão e defesa dos direitos humanos.

“Nada sobre nós sem nós”, lembrou Fireman, referindo-se ao lema que tem marcado a mobilização das pessoas com deficiência em todo o país por políticas públicas inclusivas.

Já o professor Sérgio Coutinho, outro participante da consulta, lembrou que qualquer ação voltada à inclusão das pessoas com deficiência, sobretudo na política de segurança comunitária, exige capacitação e acessibilidade.

“Não teremos denúncias de surdos, se os policiais não souberem libras; nem de cegos, se eles não tiverem acesso a, no mínimo, uma lista de telefones de emergência em braile, tampouco de deficientes físicos, se não houver acessibilidade”, pontuou.