No Recife, onde participa do seminário Transporte Público para Grandes Eventos, o consultor da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional, Phillipe Bovy, deu um recado simples para as autoridades não apenas do Recife mas também de todas as 12 sub-sedes da Copa 2014: observar o que está acontecendo e ensaiar as situações atípicas.

O aviso teve endereço certo: a África do Sul, país-sede do Mundial do próximo ano, que já enfrentou diversos problemas nas obras para o Mundial, inclusive na área de transporte. Também lembrou que o Rio de Janeiro venceu ninguém menos do que Chicago, Tóquio e Madrid na corrida para sede da Olimpíada 2016.

"Eu estava presente na escolha das sedes na primeira vez que o Rio se candidatou. É importante que todas as cidades observem o que eles fizeram para conseguir essa evolução e tirar como lição", explicou.

Bovy também alertou para um detalhe importante e que pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso: a Copa do Mundo tem os locais das partidas pré-determinados apenas para a primeira fase. "Não se pode pensar em apenas seis jogos. O investimento e os trabalhos têm que ser bons para seis jogos e para o resto da vida das cidades", enfatizou.

Segundo ele, dois pontos têm que ser constantemente lembrados. O primeiro é que a Copa não será um evento apenas para o público local e sim cerca de 250 milhões de espectadores em todo mundo. O segundo é que o evento tem data para acontecer e não pode ser adiado.

"Um erro, por menor que seja, pode se refletir de forma negativa em todo mundo. Tem que ter certeza de que tudo está sendo feito certo porque não dá para adiar. E o problema da Copa do Mundo é que é um esporte em várias cidades, ao contrário de uma Olimpíada que são 28 modalidades num lugar só", contou.

Quanto à parte mais técnica - e minuciosa - o consultor não mostrou-se alarmado. Inclusive, classificou alguns problemas como semelhantes a qualquer país que receba um evento do porte de uma Copa do Mundo. Questionado sobre a capacidade de o Aeroporto do Recife receber uma quantidade bem maior de vôos internacionais ele apontou que apenas uma mudança no estacionamento das aeronaves poderia ajudar.

"Isso é um problema gerenciável e acontece em todo lugar, pois nem o Aeroporto do Rio de Janeiro está preparado no momento. Apenas mudando o estacionamento dos aviões pode aumentar a capacidade", apontou.

A internet também foi ressaltada como uma ferramenta essencial para a grande quantidade de turistas que devem aportar na cidade. Ele citou como exemplo a ser seguido os Jogos de Inverno de Salt Lake City (EUA, em 2002). "Foram desenvolvidos vários mapas da cidade na internet em vários idiomas. As informações para os turistas serão muito importantes", enfatizou.

Para finalizar, Bovy lembrou que todas as ações previstas devem ser ensaiadas, mesmo antes daquela que é considerada a competição "ensaio-geral" para o Mundial, a Copa das Confederações, provavelmente no mês de junho de 2013. "Por exemplo, pode ser preciso cem ônibus saindo direto do aeroporto. Mas essa quantidade não pode ser jogada no tráfico normal. Todas essas situações atípicas têm que ser preparadas", argumentou.

GRANDE RECIFE - O presidente do Consórcio Grande Recife de Transporte, Dílson Peixoto, destacou que o objetivo das ações é deixar um legado para depois da Copa. Um financiamento de R$ 317 milhões com recursos do FGTS serão destinados para construção da primera etapa do Corredor Norte-Sul e outros R$ 517 milhões Orçamento Geral da União para o corredor da BR-101 e aquisição de 15 trens de metrô.