A Secretaria de Estado da Saúde confirmou na quarta-feira (11) o 23º surto do mal de Chagas no Pará no ano. Ao todo, já foram registrados 166 casos --39 em Belém-- e uma morte em 2009.

É o pior quadro desde 2006, quando foi criado um núcleo específico para o controle da doença. Em 2007, pior ano até então, foram 122 vítimas da doença e nenhuma morte.

Em Jurunas, bairro em área urbana de Belém, 13 pessoas moradoras de uma mesma rua tiveram resultado positivo da doença. A principal suspeita recai sobre um suco de açaí, consumido por todas as vítimas.

"Ainda estamos em fase de investigação, mas é possível que o açaí tenha sido moído com as fezes do barbeiro ou ele próprio, o que causou a infecção", disse Elenid Góes, do Programa Estadual de Controle da Doença de Chagas.

"Mas posso dizer que o açaí não é o culpado, mas sim pessoas que são irresponsáveis no seu preparo", afirmou.

Em 2007, o Ministério Público Estadual abriu inquérito para apurar as condições de higiene em que eram preparados sucos da fruta. No mesmo ano, foi firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com 50 vendedores para que adotassem as normas da Vigilância Sanitária no preparo.

Os sintomas comuns nas vítimas são febre, dor de cabeça, inchaço nas pernas e no rosto e dor no estômago. Em pacientes com problemas cardíacos, a preocupação é maior.

A doença de Chagas pode ser curada, caso se inicie o tratamento o quanto antes. O Ministério da Saúde considera a cura quando há dois exames de sangue seguidos sem a infecção.

A transmissão só é feita de pessoa para pessoa em caso de gestantes (para os bebês), transplante de órgãos e transfusão de sangue. Em nenhum dos casos positivos no Pará em 2009 a vítima estava grávida.