O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vai decidir amanhã se o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá irá a Júri Popular. O casal está preso há 11 meses, suspeito do assassinato da filha dele, Isabella, de 5 anos, que foi estrangulada e jogada pela janela do sexto andar do apartamento onde viviam, em São Paulo, no dia 29 de março de 2008.

 

O promotor do caso, Francisco Cembranelli, calcula que o julgamento deve ocorrer entre o início do segundo semestre deste ano até o primeiro semestre de 2010. Ele acredita que os desembargadores vão aceitar o pedido de enviá-los a Juri Popular. Até agora, o casal teve todos os pedidos de habeas-corpus negados no TJ-SP, no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal). Se condenados, o pai e a madrasta de Isabella poderão receber pena de 12 anos de prisão.

 

Em entrevista ao programa ‘Fantástico’, da TV Globo, a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, falou sobre como tem enfrentado a vida sem a filha. Ana se licenciou do trabalho por algum tempo, mas voltou a trabalhar. Contou que, apesar de tentar levar vida normal, sair e se divertir com amigos, ao voltar para casa, depara-se com a falta da filha. Ela diz que quer voltar a ser mãe: “Quero muito”.

 

Ana Carolina de Oliveira mantém intacto o quarto onde dormia com Isabella e disse que, olhando em volta, muitas vezes, pensa que não vai conseguir seguir em frente. “Todos os dias, eu peço a Deus que me dê forças para viver”, revelou ela, que quer estar presente no julgamento, quando for lida a sentença do casal acusado pelo crime. Ana admitiu também que tem as imagens da noite em que a filha foi assassinada muito nítidas.

 

“É muito triste você enterrar uma filha e não poder fazer nada por ela”, lembrou, chorando. Ao ser perguntada sobre o que sente sobre o pai e a madrasta de Isabella, preferiu não comentar. Ao falar sobre a maior lembrança que tem da filha, Ana lembrou a última frase dela: “Mãe, eu te amo muito, muito, muito”. “É uma mensagem muito bonita”, comentou.

 

“Ser mãe de novo é fato. Quero muito poder amar um filho assim como eu amei a minha filha. Planos de ter um filho, eu quero, mas isso não é para agora. Se Deus quiser, vou ter outros filhos”.

“Minha vida não tem rotina. Tenho me dedicado bastante ao trabalho, porque esse é um tempo em que me distraio. Vida normal, não sei se dá para dizer assim, mas acho que nunca mais”.

 

“Na verdade, espero mesmo a Justiça de Deus. Tem muitos dias em que eu penso em desistir, porque acho que não vou aguentar, mas eu respiro fundo, rezo e falo, vamos, um passo de cada vez que a gente vai conseguir”.