O livro "Espírito Santo" virou motivo de desgaste para a segurança pública capixaba. Na última quarta-feira (4), a Associação dos Oficiais da Polícia Militar pediu a renúncia do secretário de Segurança do Espírito Santo, Rodney Miranda, um dos autores da obra.

Lançado pela editora Objetiva, o livro narra a luta contra o crime organizado no Espírito Santo. Foi escrito também pelo juiz Carlos Eduardo Lemos e pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares. Um grupo de coronéis ameaça entregar o cargo por conta da obra de 240 páginas, que usa nomes fictícios para falar de militares, juízes e policiais suspeitos na morte de um juiz.

A Associação dos Oficiais da Polícia Militar divulgou que Miranda não tem "clima" para ser secretário e decidiu abrir um processo judicial contra o secretário, bem como espalhar outdoors em repúdio ao autor do livro.

O mote da obra é o assassinato em março de 2003 do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, numa emboscada. O livro chama a atenção para a força do crime organizado e sua proximidade com o poder.

Os autores de "Espírito Santo" mostram como a criminalidade colocou um Estado de joelhos, revelando sua fragilidade diante de uma rede criminosa que chega a se confundir com as instituições públicas, tamanha a proximidade entre bandidos e autoridades.

Procurado pela reportagem, o governo do Espírito Santo informou que não vai se manifestar sobre o movimento dos coronéis contra o secretário. Miranda não quis falar com a Livraria da Folha.