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A pesquisa Ônibus Rural Escolar do Brasil, divulgada nesta terça-feira, 03 de novembro, oferece uma amostra da situação do transporte escolar rural do país. O Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru/UnB), responsável pela pesquisa, percorreu 50 mil km em 16 Municípios e obteve um diagnóstico dos veículos utilizados pelo Programa Caminho da Escola.

Após a análise efetuada em 60 dias, os 150 pesquisadores do Ceftru elaboraram um documento com recomendações para melhorar o conforto e a segurança das crianças no transporte escolar. Segundo o Centro, alguns alunos chegam a passar até oito horas dentro dos ônibus em “péssimas condições”.

A respeito da manutenção desses veículos, o coordenador da pesquisa Willier Carvalho lembra que existem algumas normas a serem seguidas. “Se o Município estiver distante até 200 km da concessionária, cabe a ele levar o ônibus para manutenção. Caso a distância seja maior, é dever da concessionária ir ao Município”, assegura.

De acordo com Carvalho, há uma defasagem principalmente na Região Norte. “Isso gera uma grande dificuldade para os Municípios”, conta. No documento entregue ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), os pesquisadores expõem a necessidade de capacitar os Municípios para fazerem a manutenção do setor viário.

Na prática, as melhorias dependem de recursos


O Prefeito de Rio Rufino (SC), um dos Municípios que participou da pesquisa, Carlos Oselame, conta que o principal problema é com as estradas. Ele garante que há segurança nos veículos, mas há dificuldade de transportar os estudantes em rodovias tão precárias. “Falta recurso para melhorar as estradas. Fiz um pedido de verbas para o Ministério da Integração, mas não obtive resposta até agora”.

Rio Rufino é responsável pelo transporte de mais de 500 alunos, inclusive do Ensino Médio, da zona rural para a cidade. Segundo Oselame, eles passam quase duas horas e meia para ir e voltar da escola. “Recebo cobrança da população, pois os estudantes chegam atrasados na aula em razão da situação das estradas e da falta de recursos para obras necessárias”, afirma.

Recomendações


Além de cuidar da manutenção dos veículos escolares, o Centro recomenda ainda outras ações. Eles sugerem o aperfeiçoamento da estrutura de ventilação, vidros, pneus, travas nas portas, vedação de buracos para evitar poeira, altura dos ônibus em relação ao solo, ajustes na velocidade e nova localização para as portas de acesso.

Os responsáveis pela fabricação dos veículos acompanharam os pesquisadores e confirmaram que as alterações sugeridas serão feitas. A análise de 53 rotas mostrou que em 92% delas há ocorrência de defeitos nos veículos que transportam os alunos para a escola.