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Alergista Clarissa Tavares

Com o início dos testes em voluntários neste mês de julho, a perspectiva de duas vacinas contra o novo coronavírus traz à tona a importância da imunização no combate a doenças. Conforme anunciado pelo governo de São Paulo, a partir do dia 20 deste mês começam, em cinco estados, os testes da vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantã e pelo laboratório chinês Sinovac.

Paralelamente, também começa a ser testada no país outra vacina, desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e pela farmacêutica AstraZeneca Brasil Ltda. No momento, esta é considerada a mais avançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ouvida pelo CadaMinuto, a médica alergista e imunologista Clarissa Soares Tavares frisou que os estudos são promissores e que, embora tenham o mesmo objetivos, as vacinas têm diferentes mecanismos de ações.

“Essa vacina com o governo britânico já vinha sendo estudada para a primeira epidemia, o SARS Covid-1 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), e foi aproveitado o gancho no estudo dessas vacinas para o SARS Covid-2... A vacina britânica é feita através de inoculação de um adenovírus que infecta chimpanzés. Já a vacina chinesa ela é feita com o vírus atenuado”, explicou.

Independente de qual vacina sairá na frente, a médica acredita em resultados até o final deste ano, mas lembra que ainda não será possível saber a periodicidade para aplicação da imunização: “De repente ela pode ser anual, como H1N1, mas se por acaso houver dois surtos anuais, ela vai ter que ser semestral. Como a doença é nova, a gente ainda não conhece muita coisa, ainda está sendo tudo estudado, encaminhado”.

Antivacina

Diante da certeza científica de que a vacina é a melhor arma no enfrentamento ao novo coronavírus, Clarissa também criticou a sobrevivência do “movimento antivacina” que, no ano passado, foi incluído no relatório da OMS entre os dez maiores riscos à saúde mundial.

“Essa vacina para o novo coronavírus vai surgir e, se os filhos desse pessoal do movimento antivacinação pegarem a doença, vão ter a forma grave. A criança não tem a opção de vacinar ou não, porque é criança, não tem opinião, mas acho que, se os pais são ‘antivacinas’ e as crianças adoecem, pegam uma infecção, esses pais devem ser responsabilizados criminalmente”, defendeu a médica.

“Se hoje nós temos essa modernidade de vacinar, seja o adulto ou a criança, para prevenir a doença, isso é o que há de melhor”, prosseguiu, classificando o movimento de “ignorância”. A alergista chamou a atenção ainda para a importância de manter a regularidade do calendário de vacinação das crianças, dos adolescentes e adultos.

“Aqui no Brasil se esquece muito que adulto também tem que manter uma vacinação. Temos o costume de vacinar nossas crianças, mas quando chega à adolescência e à vida adulta, achamos que não precisa mais vacinar e, cada dia que passa, vão aparecer novas doenças, está aí a Covid-19. Agora imagine a importância da vacina para baixa mortalidade daqui para frente”, pontuou.

Cuidados com as alergias

Clarissa Soares Tavares também conversou com a reportagem sobre o tema escolhido este ano, pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), para a Semana Mundial da Alergia, que terminou no dia 4 de julho: “Os Cuidados com as alergias não param com a Covid-19”.

“Nenhuma alergia é fator de risco para a Covid, porém, se a alergia estiver sob controle, com certeza se o paciente tiver a doença, o quadro será menos acentuado do que se ele não estiver com a alergia controlada. Os pacientes que tem imunodeficiência precisam ter cuidados redobrados, pois estudos mostram que, quando estão seguindo rigorosamente o tratamento, fazendo o isolamento e tudo o mais, não é considerado grupo de risco”, alertou a médica.

Reforçando que os cuidados com as alergias não devem ser interrompidos durante a pandemia, a especialista explicou que, devido a alguns sintomas e sinais da Covid-19 serem muito parecidos com sinais de alergia, como espirro, coriza e cansaço, se o paciente alérgico  está sendo acompanhado pelo médico e mantendo a alergia sob controle, os sintomas podem alertar para a possibilidade de infecção pelo novo coronavírus.

 “Um paciente com asma, se ela estiver sob controle, não corre risco maior nenhum de ter a doença grave. Agora, se ele não está tratando, cuidando e mantendo a asma sob controle, com as medicações adequadas, certamente se pegar a Covid, será muito mais séria. Daí a importância é não esquecer de manter os tratamentos de alergia como o médico orientar. Mesmo com a pandemia, não devemos deixar de tratar as alergias”, exemplificou.