Cortesia
Médica Luciana Pacheco

Na sexta-feira, dia 03, depois de quase 100 dias que a pandemia do novo coronavírus mudou a vida dos alagoanos, parte do comércio voltou a funcionar e o acesso à orla da capital foi liberado. Essa volta à “normalidade”, no entanto, veio acompanhada por uma série de medidas para evitar a contaminação e a proliferação da doença. A abertura, muito esperada pelos empresários, ainda é questionada por profissionais da área da saúde. O CadaMinuto conversou com a diretora médica do Hospital Escola Helvio Auto e infectologista, Luciana Pacheco, que falou sobre o retorno do comércio e os cuidados que os cidadãos devem seguir tomando para não se infectar.

A médica pontuou que a flexibilização foi baseada na redução de casos e de óbitos, embora a ocupação de leitos ainda esteja alta e a doença tenha se interiorizado. “Em algum momento essa flexibilização precisa ocorrer, mas com planejamento e responsabilidade”, ressaltou.

Mas, apesar de toda a informação, se tornou “comum” ver pessoas em locais públicos utilizando a máscara de forma errada. É só sair à rua que observamos pessoas com as máscaras no queixo, penduradas na orelha, deixando o nariz de fora. Luciana Pacheco defende que o mais importante é conscientizar as pessoas a usarem máscara em qualquer local público. E cabe aos responsáveis por esses locais educar e exigir que os usuários e funcionários usem corretamente.  Já quando questionada sobre um enrijecimento das regras, a médica disse que “é muito difícil a questão de punição no nosso país”.

Sobre a alta movimentação nas ruas do Centro de Maceió e o descuido dos cidadãos com as medidas de proteção individual, como se o fato de poder sair significasse ‘a cura da doença’, a infectologista comentou que as informações sobre falta de medicação antiviral para destruir o coronavirus são sempre reforçadas. “Creio mais numa falta de consciência mesmo das pessoas que não estão preocupadas com o coletivo, infelizmente. Temos visto cenas lamentáveis recentemente por todo o país”.

Quanto ao possível avanço para a Fase Amarela, que irá permitir a abertura de lojas ou estabelecimentos de rua acima de 400 m², shoppings centers, galerias, centros comerciais e estabelecimentos congêneres; templos, igrejas e demais instituições religiosas, com 50% de sua capacidade; bares e restaurantes, com 50% de capacidade e a liberação do transporte intermunicipal e turístico, com 50% da sua capacidade, Luciana Pacheco foi taxativa e disse que ainda é cedo.

“Temos que sedimentar as ações da fase laranja! No meu ponto de vista, é mais fácil retornar à Fase Vermelha do que, nesse momento, progredir de fase de forma rápida”, defendeu a infectologista.

Luciana Pacheco explicou que a curva da doença só vai descender quando houver, de fato, redução da transmissão do vírus, quando muitas pessoas já tenham sido infectadas. “Em Maceió já diminuímos esse fator de transmissão, mas, se as pessoas não seguirem as normas da flexibilização, o vírus pode voltar a infectar mais pessoas”, afirmou a médica aconselhando a todos a manutenção do uso de máscaras, da higiene das mãos e evitar aglomerações.

Boletim Epidemiológico

Conforme o último Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) na tarde de ontem, dia 09, o estado tem um total de 43.191 casos confirmados do novo coronavírus, dos quais 6.427 estão em isolamento domiciliar e 191 internados em leitos públicos e privados.

Outros 35.341 pacientes já finalizaram o período de isolamento, não apresentam mais sintomas e, portanto, estão recuperados da doença. Há 2.028 casos em investigação laboratorial.

Alagoas tem 1.230 óbitos por Covid-19. Das 17 mortes confirmadas laboratorialmente até ontem, por causa do novo coronavírus, duas vítimas residiam em Maceió e as outras 15 pessoas moravam no interior do Estado.