"Tenho aprendido muito sobre racismo estrutural, com você, Arísia Barros"- afirmou a promotora de justiça.

  • Arísia Barros
  • 09/07/2020 22:12
  • Raízes da África


Ela, uma mulher branca,  promotora de justiça, no Ministério Público Estadual de Alagoas,espectadora do cotidiano e  me dizia áspera. Alertei que a aspereza do racismo é secular e não incomoda quase ninguém.
Depois ela disse ser eu  incisiva, uma mulher de palavras duras. Retomei a fala no dizer que a rudeza do racismo estrutural  é atemporal, e em muitos momentos, há que assumir  a contundência, a abruptalidade, como forma  de ocupação de espaços .
E que  a palavra feito estilingue conta narrativas/ vivências  antigas, urgentes e necessárias. Palavra utilitária para demarcar territórios, destravar ferrolhos enferrujados pelo   racismo estrutural e estruturante, em gentes e instituições.
Racismo estrutural que reina soberano, nos muitos pedaços de chão das terras das Alagoas de  Palmares, apesar das muitas lives...
Ela é uma mulher branca, promotora do Ministério Público em Alagoas e   aponta  caminhos meus , respondo-lhe que é  fácil e cômodo, para quem tem  privilégios da branquitude falar em opressão da palavra preta. Digo-lhe que o racismo me deseducou, faz um tempo pregado na folhinha, e a delicadeza que o mundo exige que tenhamos, é tranvestida de subserviência.
Foram tempos longos de reflexão  sobre a  nudez , crueldade do racismo e as crateras de desigualdades que vão sendo escavadas em corpos,cabeças e  histórias de muitas vidas, e um dia (eureka!)  as  palavras reverberaram (eco!eco!eco!) nas encruzilhadas de saberes, encurtando  distâncias,  e ela decidiu pelo auto-desafio  de fazer a escuta plural.
Olhar o mundo, a partir, e para além da geografia particular, reconhecendo privilégios e reagindo para ir além da hashtag  # não sou racista, ou #vidaspretasimportam ” .
Ela, a mulher branca promotora do Ministério Público  se auto-desafia, no investir  em um processo reflexivo,  para  a aprendizagem sobre branquitude,opressão,privilégios. Lições que tragam entendimento  na  luta contra o racismo  estrutural e na proposta do antirracismo.
-"Tenho aprendido muito sobre racismo estrutural, com você, Arísia Barros'-afirmou a promotora de justiça
Obrigada, Alexandra Beurlen! 
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