Em entrevista, Collor diz que faltou noção correta de Bolsonaro sobre pandemia: 'preferiu entrar em litígio'

  • Mara Santos*
  • 08/07/2020 21:22
  • Política
Foto: Reprodução
Fernando Collor

O senador alagoano Fernando Collor criticou a atuação do governo federal no combate à Covid-19. Em entrevista online, concedida ao blog CB.Poder, do site Correio Braziliense, nesta quarta-feira (8), Collor disse que faltou a Bolsonaro uma noção correta no que seria a pandemia no Brasil e que o presidente deveria ter coordenado o trabalho de combate ao vírus junto a governadores e prefeitos, mas preferiu entrar em “litigio” contra os mesmos e contra a ciência.

“Faltou ao presidente da república, desde o início, uma correta noção do que significava a chegada dessa pandemia ao Brasil, então, ao invés de coordenar esse trabalho junto com os governadores e junto com os prefeitos, o presidente entrou em litígio contra os governadores e contra os prefeitos. Entrou em litígio com a academia, com a ciência e com as recomendações que faziam e que continuam fazendo de não aglomeração, não comparecer a aglomerações, não participar de aglomerações, de usar as máscaras, dos hábitos de higiene”, disse o senador.

Collor afirmou que a falta de coordenação e uma agenda comum no combate ao que chamou de inimigo invisível causou muita confusão trato e propagação da pandemia.

“O que está faltado no país é coordenação nas ações dos entes federados, do governo federal, estadual e das prefeituras, para terem uma agenda comum no combate a esse inimigo invisível contra o qual não há remédio, não há vacina, somente recomendações de higiene. E é algo impressionante que, com uma pandemia como essa, as únicas recomendações que nós recebemos para evitar a propagação é o distanciamento social e os hábitos de higiene, os mais corriqueiros. Então isso causou muita confusão, no trato de uma propagação de uma pandemia como essa que nos acomete nos dias de hoje”, declarou.

O senador alagoano também desejou pronta recuperação ao presidente Jair Bolsonaro, que está com Covid-19, e disse esperar que após recuperado ele possa seguir com uma abordagem diferente. “Eu espero que recuperado desse mal que agora o acometeu, ele possa enfim chamar os governadores, chamar a academia, chamar a ciência e elaborar uma agenda comum, com a mesma linguagem”, completou.

Fernando Collor também afirmou que Bolsonaro “minimiza” o combate à Covid-19, que ele deveria dar exemplo e aprender com exemplos de países que já enfrentaram e estão saindo do problema.

“Ao mesmo tempo em que o presidente fala que temos que combater esse vírus, ele minimiza esse combate. Como disse que era uma “gripezinha”, disse agora, mesmo depois de ter sido infectado, que ele é forte o suficiente e que vai superar isso com muita facilidade, Deus permita que supere realmente, mas não é dessa maneira que ele dá um bom exemplo. Eu acho que o exemplo tem que vir de cima, e um bom exemplo que ele poderia oferecer à população brasileira, era exatamente seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), seguir a orientação dos presidentes de outros países, que já tiveram esses problemas, muito mais graves que os nossos e que já estão saindo desses períodos mais críticos. Aprender com os exemplos dos outros, esses exemplos bem-sucedidos, isso é o que ele deveria fazer, isso que eu espero que ele faça, tão logo ele se recupere dessa doença”, pontuou.

Questionado sobre qual seria a pauta mais relevante para o Senado, debatida e resolvida de maneira mais urgente, em relação à pandemia do novo coronavírus, Collor disse que a Casa vem dando um exemplo “extraordinário” ao pais.

Segundo Collor, das 38 sessões remotas, foram votados cerca de 80 projetos, e de cada 10 projetos votados, 9 foram de iniciativas do poder Legislativo e um do poder Executivo. “Isso demonstra a preocupação do Senado em todos os quadrantes no combate ao coronavírus”, completou o senador.

 

*Sob supervisão da editoria