Presidente Bolsonaro e a Gang das Fake News

  • Redação
  • 08/07/2020 19:13
  • Blog do Celio Gomes

O Facebook derrubou uma rede de fake news patrocinada pela família Bolsonaro. A notícia saiu na tarde desta quarta-feira 8. Eram mais de 70 páginas e perfis com um único objetivo: espalhar mentiras em favor da gang do capitão da tortura. Como se sabe, essa é a estratégia número um da turma que tomou o Brasil de assalto a partir de janeiro de 2019. A máquina de produzir falsidades foi o principal meio de atuação dos marginais na campanha eleitoral de 2018. A decisão do Facebook, portanto, não surpreende.

Ao contrário. A medida anunciada agora pelo gigante da internet confirma os fatos que sempre estiveram aí. Várias reportagens, em diferentes meios, já mostraram como atuam os tais “robôs” criados pelos farsantes para inventar histórias de todo tipo. A prática é alvo de investigações em diferentes níveis, mas até hoje não surtiu nenhum efeito mais sério para os engajados vigaristas.

Salvo engano, o anúncio do Facebook é inédito – ao menos nessa proporção. Assim, o governo Bolsonaro serve de “exemplo” ao mundo. A novidade eleva em alguns graus a desmoralização de um presidente já amplamente desmoralizado. Somos hoje, como já se disse nos quatro cantos, um país com um governo que se tornou um pária internacional. Ninguém quer ficar perto disso daí.

Um falso moralista, dono de uma honestidade de fachada, Bolsonaro enriqueceu na política – na baixa política. Esta semana, a Folha de S. Paulo revelou evidências de que o tal modelo de “rachadinha” vigorou no gabinete do então deputado federal do baixo clero. Em Brasília, o pai repetia o esquema que os filhos tocavam na Assembleia do Rio e na Câmara Municipal paulista.

Vejam que coisa grave. Parlamentares, eleitos para representar a população, com discurso de defesa da ética e da moralidade pública, não passam de uma fraude em larga escala. Entre os perfis falsos denunciados pelo Facebook estão vários controlados pelos gabinetes do senador Flávio Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro. Os caras são craques na bandidagem pelas redes.

O mais sério de tudo isso é o seguinte: parte dessa teia de páginas e contas virtuais era controlada por servidores instalados no Palácio do Planalto. No núcleo duro do bolsonarismo. No coração do governo. É a confirmação, também, daquela pilantragem que recebeu o nome de Gabinete do Ódio. São funcionários públicos bancados pelo dinheiro do povo para perpetrar crimes a rodo.

Nem precisava, mas o caso expõe ainda que a produção em massa de fake news é a base do PSL. Como você sabe, foi com essa legenda de aluguel que Bolsonaro chegou à Presidência. Deixou o partido porque pretendia ser o dono do pedaço, mas trombou com uma raposa chamada Luciano Bivar, presidente nacional da sigla. Deputados do PSL são especialistas na criação de mentirada.

Vi agora há pouco as primeiras reações de alguns dos atingidos pela decisão do Facebook. Sem surpresa, parlamentares já estão jogando a culpa das safadezas nas costas de funcionários. Agiram sem o conhecimento dos políticos. É uma resposta tão previsível quanto indecente, mas, claro, está de acordo com a filosofia da “nova política”. A ver se as revelações provocam alguma punição séria.

É por tudo isso que a Gang Bolsonaro treme de medo diante do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal desde o ano passado. É por tudo isso também que bolsonaristas aprontam todas pra sabotar a CPMI das Fake News. Em abril passado, o governo tentou variadas manobras para barrar a prorrogação das investigações. Não conseguiu. Os trabalhos da CPMI vão pelo menos até outubro.

É o Brasil de hoje. É o país governado por uma família, sempre atenta ao “filé mignon”, contra os interesses da população. Como já escrevi aqui mais de uma vez, não espere avanços. Em sentido nenhum. A cada novo capítulo da crise eterna, repito: vai piorar. Enquanto Bolsonaro for presidente, o cenário será o pior dos mundos. A mentira como método é só uma fotografia do desastre.