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O que vc faria se soubesse, testemunhasse ou fosse quase vítima da queda de um avião modelo Boeing 737, o mais comum que circula pelas altitudes brasileira?

Certamente se chocaria se um desses despencasse na capital Maceió. Como os momentos mais arriscados são nas aterrissagens ou nas decolagens, muito provavelmente poderia acontecer na cabeceira da pista do aeroporto Zumbi dos Palmares, até mesmo em cima de Rio Largo, ou pelo bairro do Tabuleiro dos Martins, até mesmo próximo ao belo mar, em algum ponto entre Graça Torta e Guaxuma.

Pois é, nesse dia 08.06 Alagoas alcançou 622 óbitos pela Covid-19, o equivalente a 4 aviões lotados espatifados no chão. Sem a explosão, o fogaréu e a fumaça tingindo as nuvens há quem ainda acredite numa teoria da conspiração, ou maltrate os números, usando uma matemática mequetrefe para apequenar a tragédia. Contrariam tudo o que é bom senso e os parâmetros técnicos adotados em todas as pandemias internacionais já observadas e estudadas.

Existem ainda aqueles que usam estatísticas como estivessem numa eleição política calculando percentuais relativos, completamente inadequados para se avaliar uma pandemia, quando não se conhece a população geral contaminada e existe uma extraordinária subnotificação de óbitos causados, muito provavelmente, pela Covid-19.

Não é exagero afirmar que fecharemos junho com mais de 1000 óbitos em Alagoas, ou seja, em três meses o equivalente a quase metade das mortes por violência no estado. Quer dizer, 6 Boeing lotados despencados em algum lugar entre o norte e o sul, entre o leste e o oeste das terras de Zumbi. Considerando que ainda estamos em condições de atender e tratar pacientes, tentando salvar vidas.

Agora, se as medidas de isolamento social forem afrouxadas, incentivando a aglomeração de pessoas, chegaremos muito mais rápidos ao colapso do sistema de saúde, pessoas morrerão sem ter, ao menos, o direito de serem vistas por uma equipe médica.

A figura acima é do estudo de FUJIWARA, Thomas. Estimating Excess Deaths due to Covid-19 in Brazil using the Cartórios Data. Princeton, EUA, 04.06.2020. Disponível em http://www.princeton.edu/~fujiwara/papers/excess_deaths.pdf

É importante conferir para saber da metodologia e limitações do dados.