Pandemia: a tortura dos números no governo Bolsonaro! (E Davi Maia & Cabo Bebeto)

  • Redação
  • 08/06/2020 19:22
  • Blog do Celio Gomes

Esconder, maquiar e finalmente fraudar os dados objetivos da realidade. O governo Bolsonaro, mais uma vez, põe em prática o que se pode chamar de princípios da nova política. Se o capitão miliciano terminar o mandato, teremos, durante quatro anos, esse exercício permanente de barbaridade. Nada mais natural para uma gestão em que a mentira tem status de política de Estado. Ainda assim, mascarar os números da pandemia do coronavírus no Brasil é tão tosco e autoritário que surpreendeu o mundo inteiro.

E, desde o governo Bolsonaro, toda vez que o mundo se surpreende com o Brasil, significa mais isolamento global para o país. Como já escrevi aqui, a condição de pária é a que melhor define a irrelevância brazuca sob o comando da gang bolsonarista. Como se vê, o desqualificado presidente repete os métodos típicos dos regimes ditatoriais. Esse arrivista tem de ser barrado.

Em Alagoas, seguidores de Bolsonaro usam caixões e cadáveres para fazer campanha eleitoral. Os deputados Davi Maia (foto) e Cabo Bebeto – dois sintomas graves da pandemia de BozoCovid-17 – estão na dianteira desse descalabro de ordem moral. Para a dupla, a tragédia que já matou mais de 600 pessoas em Alagoas é uma “janela de oportunidades”. Falam até em CPI da Covid-19.

Maia faz o tipo caçador de corruptos e de malfeitores. Ele é do Renova Brasil, a escolinha do Luciano Huck especializada em formar “novos políticos”. Vejam como as coisas se cruzam. É tudo fã de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Todo mundo aí combate a ameaça do marxismo globalista, entendem? São ao mesmo tempo causa e consequência do conjunto da obra que é Bolsonaro. É pra se danar!

Bebeto é a outra ponta da milícia ideológica, por assim dizer. Enquanto Maia apela ao ilusionismo de algum verniz técnico em suas falácias, Bebeto atira primeiro e pergunta depois. É do tipo que cumpre ordem que nem um fanático disposto a qualquer coisa em nome do líder. Uma cabeça oca e uma índole miliciana nunca resultarão em algo saudável. E não existe vacina para esse modelo bacteriano.

Mas, pensando bem, tudo isso é como se fosse a fachada da fachada – porque no fim das contas o que eles fazem mesmo é a velha politicagem. De novo, com outras palavras: esses dois representantes do povo afrontam famílias que foram devastadas pela pandemia. De olho exclusivamente em dividendos políticos, pregam o tumulto e a desinformação. Casuísmo e hipocrisia.

Eu comecei falando sobre Bolsonaro no fundo do poço. Digo fundo do poço porque torturar números e praticar assédio moral contra a matemática é, simbolicamente, um tipo de degradação fatal. É a confissão involuntária da falência geral de um governo. Depois disso, só falta mesmo a ordem para os tanques invadirem as ruas. É o casamento perfeito entre farsa política e fiasco administrativo.

Sim, o regime ideal para Bolsonaro e sua seita é o regime de força, a ditadura clássica, com fechamento do Congresso e censura à imprensa. No clima atual, o ódio do governo e seguidores ao STF é sinal dos tempos. Se Bolsonaro pudesse, o chamado autogolpe já estaria sacramentado. E com o apoio de alguém aí perto de você – um advogado, um delegado, um jornalista... A fauna é diversa.

Volto à Bancada Coronavírus de Alagoas, liderada por Davi Maia e Cabo Bebeto. Ia esquecendo de listar Flávio Moreno, aspirante a um mandato de vereador em Maceió. Bolsonarista de raiz – ou seja, perigosamente perturbado –, o carioca Moreno é agente da Polícia Federal. “Liderança” do PSL de Maceió, ele aproveita o drama dos alagoanos pra farejar votos que o levem ao reino da vereança.

Vi alguns vídeos de Flávio Moreno fazendo “denúncias” contra o governo estadual. O negócio é tão fantasioso que ele deveria ser preso em flagrante. Ainda que essa turma – além de outros tipos espalhados nas redes sociais – mostre uma conduta repugnante, é também triste assistir ao que inventam. Poderiam se controlar um pouco, poderiam mostrar alguma réstia de dignidade.

Entre tantos valores incompatíveis com o bolsonarismo está justamente a dignidade. O presidente zomba das vidas que se foram pelo coronavírus. Faz isso a cada vez que abre sua bocarra imunda para falar sobre os números da tragédia que ele subestima. Não importa o tema, parece que o adepto da nova direita está sempre disposto à tática da fraude e da bala na cabeça.

Politicagem. Pandemia. Fake news. Mais de 36 mil mortes no país. Entre Brasília, a doença do bolsonarismo e Alagoas, misturei as pautas e aproximei tranqueiras da vida pública. No domingo as ruas deram sinal de vida. Bolsonaro vai enfrentar protestos em dimensões gigantescas – é questão de tempo. Até lá, ele pode apelar à força bruta. Por enquanto, é bater em todo tipo de pilantragem.