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O analista de sistema Antônio Palmeiro fumou dos 14 aos 65 anos, sua idade atual. Após 229 dias sem o cigarro, seu Antônio trava uma batalha diária para continuar distante do tabaco, que segundo ele, não seria possível sem o auxílio do Programa Municipal de Cessação e Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“Fumei durante 51 anos. Parei de fumar em outubro, mas todos os dias ainda penso e sinto vontade de fumar. Conheci o núcleo através da minha filha que fez estágio lá”, afirma o usuário.

O Programa conta com equipes multiprofissionais, nos seis núcleos municipais (nas unidades do 2º Centro, Aliomar Lins, Dídimo Otto, João Paulo II, Durval Cortez e São Francisco de Paula), além dos dois parceiros (HU e Uncisal). 

“Os profissionais são excelentes. Para se ter uma noção correta da excelência desses profissionais só participando das reuniões. Tive apoio direto da Lara Sandes, terapeuta ocupacional; do Arthur, educador físico e terapias alternativas, como acupuntura e florais; da Suzana Cunha, psicóloga; e também tive encaminhamento rápido e sem burocracia a uma nutricionista. Sem falar do Áureo, psiquiatra; da Sheila, enfermeira; da Luciana, assistente social e da fisioterapeuta Solange”, fez questão de mencionar o usuário.

Acompanhamento dura um ano

Para participar do programa não é necessário encaminhamento médico. O paciente só precisa ir ao núcleo mais próximo de sua comunidade ou ao 2º Centro, às quartas-feiras, portando o RG e o cartão SUS, para fazer uma inscrição. No local, existe uma lista de espera e as pessoas são chamadas para novos grupos de acordo com o surgimento de vagas. Cada grupo contempla de 15 a 20 pessoas.

No momento de realização do cadastro são coletados dados pessoais e são feitas perguntas relacionadas a saúde e ao vício. No primeiro mês, os encontros são semanais e duram de uma a duas horas, seguindo a metodologia proposta pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), por meio de livros que surgiram de vários estudos da experiência com câncer e doenças relacionadas ao tabaco.

“Durante esse primeiro mês o contato é mais intenso, porque é o momento que a gente espera que o usuário consiga parar de fumar. Neste primeiro mês o usuário tem uma consulta marcada com o médico, que vai avaliar a necessidade de prescrever alguma medicação para auxiliar na tentativa do usuário largar o cigarro”, explica a psicóloga Suzana Cunha. 

Já no segundo mês, o encontro passa a ser quinzenal. Do terceiro ao 12º mês as reuniões são mensais. “Esse acompanhamento dura um ano, porque as pesquisas indicam que, ao parar de fumar, o primeiro ano é o mais crítico e com possibilidade de recaída. Então, a gente fica nesse acompanhamento mais perto, pra ver se esse usuário permanece longe do cigarro”, pontua a psicóloga, que afirma que os usuários são bem receptivos ao acompanhamento.

Atividades durante a pandemia

Com o surgimento de casos do novo coronavírus e levando em consideração que os fumantes são integrantes do grupo de risco da doença, foi necessário adotar medidas de distanciamento social, o que afetou também o acompanhamento presencial dos usuários do núcleo de cessação do tabagismo. Mas, para que o paciente não fique desassistido, os profissionais têm adotado diversas estratégias.

“Nós falamos com eles pelo WhatsApp ou por ligações. Agora também criamos o instagram para fazermos lives e outras atividades com eles”, comenta Gilda Teodósio, coordenadora do programa.

A psicóloga Suzana também explica que a pandemia vem impactando a todos e, por isso, é necessário um atendimento diferenciado. “Há um aumento de ansiedade de forma geral na população, porque várias válvulas de escape que usamos para relaxar, para nos distrair, estamos impedidos de usá-las, como um lazer, um passeio, uma praia. Consequentemente, o nível de estresse e ansiedade tende a subir”, relata. 

“Se o fumante já tem tendência a ser um pouco mais ansioso que o normal, no momento da pandemia está tendo um impacto maior. Então, eles estão com um desafio com certeza maior neste objetivo, que é parar de fumar”, comenta a psicóloga.

Seu Antônio conta que sua intenção ao entrar no programa era parar de fumar e que vem conseguindo, mas que tem sido desafiador durante o período de distanciamento social. “Durante esta pandemia tem sido bastante difícil, porque a vontade de fumar e a lembrança do cigarro aumentaram muito. As horas desocupadas passaram a ser o hobby de quem está em isolamento há mais de 60 dias”, confessa. “Mesmo antes de parar eu já aconselhava as pessoas a não fumar”, lembra o analista de sistema.

A psicóloga conta que há relatos de recaídas, mas também muitos relatos de perseverança. Nos dois casos, os profissionais trabalham para auxiliarem os pacientes na luta contra o tabaco. 

“Uma recaída não é uma desistência no caminho. A pessoa pode ter uma queda e levantar, sacudir a poeira e continuar, porque da mesma forma que ela conseguiu se afastar do cigarro no primeiro momento, ela pode conseguir novamente. Por outro lado, temos relatos de várias pessoas que estão enfrentando a pandemia, que estão conseguindo se manter afastadas do cigarro, mesmo com todas as dificuldades”, menciona.

Neste momento, o apoio da família, amigos e pessoas próximas é ainda mais importante. No caso do analista de sistema, ele conta com apoio da esposa e filhas, mas nem sempre acontece dessa forma. “Tem uma série de dificuldades que as pessoas enfrentam nessa trajetória de deixar de fumar e eles encontram na equipe a compreensão. Essa visão de que não é fácil, que eles estão empreendendo uma grande luta, que isso é admirável, e só pelo fato deles terem ido lá se cadastrar já estão de parabéns”, frisa Suzana.

A caminhada é importante também para os profissionais. Os resultados alcançados ao longo dos anos e o reconhecimento dos usuários fazem com que esses servidores se sintam motivados a estarem sempre próximos.

“Esse reconhecimento, esse olhar emocionado, que a gente vê nos relatos, quando eles dizem que ali encontram compreensão, acolhimento, apoio e a força necessária pra deixar de fumar, pra nós não tem preço. Isso tudo é emocionante e gratificante”, finaliza a psicóloga.