Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true


Detalhe do mural Guerra e Paz, de Portinari, oferecido pelo Brasil como presente à Organização das Nações Unidas (ONU) em 1957, colocado em posto de honra à entrada do grande anfiteatro da Assembleia Geral da ONU.

Em pouco mais de 500 dias, o governo Bolsonaro esgotou-se. Esgotou-se mas não acabou. Essa é uma lição que a História tem nos ensinado ao longo dos tempos. Nem tudo que perde a sua utilidade às sociedades, significa que se encerra de imediato.

A verdadeira política, aquela que é a grande arte, ou ciência, da organização, administração, dos Estados e da nações, nos ensina que o êxito de um governo é aquele que conduz os interesses nacionais visando o bem comum de um País, sob a égide da soberania nacional, através da democracia e das mais amplas liberdades políticas.

A gestão do presidente Bolsonaro representa um corolário de ideias associadas a um fundamentalismo ideológico intolerante, como todos os fundamentalismos ideológicos, medieval e acima de tudo excludente das grandes maiorias sociais.

Por isso ele tem agido sistematicamente através do confronto, contra o conjunto da sociedade, com vistas a manter unidas as suas bases de apoiadores, que vêm diminuindo na medida em que grandes parcelas dos seus eleitores vão paulatinamente se desencantando com as suas ações e diretivas administrativas.

Quanto mais o presidente Bolsonaro fala em liberdade, mais revela os seus pendores autoritários, quanto mais fala em Brasil, na prática demonstra a sua intenção de alienar o patrimônio estatal do povo brasileiro, muitos construídos há quase um século, a exemplo do ministro Paulo Guedes que em reunião ministerial declarou a sua intenção de vender “a porra do Banco do Brasil”.

Na verdade, se deixarem ele privatiza todo e qualquer patrimônio estatal, com a sua visão neoliberal ortodoxa e ultrapassada, que já não é mais usada em canto nenhum do mundo. O ministro Paulo Guedes age como um mascate de tempos mais antigos: vende e troca qualquer coisa.

Assim é que por tudo isso, e mais algumas coisas, o presidente Bolsonaro usurpou a bandeira do Brasil, por um grande erro, também, das oposições, e a usurpou vendendo um falso nacionalismo, porque ele não representa os interesses nacionais, mas, exatamente, um governo antinacional, antipatriótico.

Ao clamar diariamente em nome de Deus, ele age espertamente contra uma agenda ativista antirreligiosa, que virou moda em alguns estratos da sociedade, sabendo que o povo brasileiro tem em seu imaginário social o sentimento religioso.

Mas, que nunca impediu esse mesmo povo de votar em candidatos de todos os espectros políticos, como aqueles presidentes que antecederam Bolsonaro até 2016, por exemplo, e que, aliás, todos sempre se anunciaram cristãos declarados e devotos, sem exceções.

Assim, a base social do bolsonarismo é confusa, alimenta-se de falsos simbolismos, foi ganha por um discurso diuturnamente repetido em redes sociais à exaustão, contra inimigos, praticamente, imaginários, em cada esquina, beco ou viela.

Mas ele elevou-se ao poder através de um vácuo político, da sistemática campanha das grandes corporações do Estado contra a política, e a pobreza da própria atividade política partidária, que foi absorvida pelo discurso do Mercado financeiro, com suas agendas existenciais e comportamentais, que se propõem hegemônicas.

Que terminaram substituindo e exilando os rumos, as propostas que galvanizassem os anseios de um Brasil real de mais de 180 milhões de almas, que se sentiram órfãs de representatividade e referências políticas.

O Brasil encontra-se fraturado em diversas questões. Mas todas essas fraturas não são “naturais”. Elas foram sendo plantadas passo a passo com vistas à divisão da sociedade brasileira. Como dizia a máxima do antigo império romano: dividir para reinar.

O Brasil, mergulhado em uma terrível pandemia sanitária, depara-se com um governo Bolsonaro que contraria todas as recomendações médicas de isolamento social, apostando demagogicamente na onda de desemprego que será provocada pelas consequências, inevitáveis, da pandemia do corona vírus, pondo a culpa nos governadores e prefeitos.

Não se sabe, porém, se o resultado lhe será favorável, os movimentos da vida política são mais complexos que sonha ou aposta o presidente. Perante as demais instituições do Estado nacional Bolsonaro encontra-se isolado e encurralado através de várias investigações. Por isso ele vai radicalizar no confronto total.

Mas por tudo isso, é fundamental a união do País e do povo brasileiro, a divisão e a fratura só o beneficia. A polarização extremada o favorece. O confronto emocional e irracional é a sua praia.

A nossa grande tarefa é a união nacional, pelas exatas razões inversamente contrárias às do presidente Bolsonaro e do mercado financeiro.


A epopeia da construção de Brasília de 1957 a 1960, a nova capital da República.

A nossa tarefa é o esforço diligente de unir as grandes maiorias sociais, as minorias também, independente de preferências partidárias, credo religioso, opções sexuais, combater qualquer forma de racismo.

Mas acima de tudo, unir o povo brasileiro, sem o qual ficaremos patinando nesse presente contínuo pantanoso, à mercê desse, e de novos aventureiros.

Construir um rumo, um estado de espírito democrático, batalhar pela convivência solidária, a tolerância social. Apresentar um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, que crie esperanças, factíveis e concretas ao povo brasileiro.

Para isso, sugiro a leitura do Manifesto à Nação, elaborado pelo destacado brasileiro Aldo Rebelo, com contribuições de outras pessoas, subscrito por milhares de cidadãos.

O País se encontra em uma profunda crise multilateral, agravada por uma terrível pandemia sanitária. Uma verdadeira encruzilhada Histórica. Mas não é hora de desespero, nem desencanto. O Brasil, hoje com mais de 210 milhões de habitantes, é inevitável, o seu povo, jovem, é combativo, destemido e criativo.

E, assim, mostra a História, quando unido em torno de um propósito comum e altruísta, ele se agiganta e realiza coisas formidáveis. Portanto, como disse um dos grandes poetas da nossa língua portuguesa: É Hora!. É tempo de reconstruir economicamente, socialmente, politicamente, espiritualmente, a grande nação brasileira. Vamos dar os primeiros passos nessa caminhada.