Foto: Reprodução / Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros avaliou a aliança de Bolsonaro com o Centrão como “desesperada” e disse que o presidente faz um governo errático”. O senador também viu como positivo o encontro do governo federal com os governadores e disse que Bolsonaro precisa mudar de postura, pois é preciso unificar todos os Poderes para enfrentar e solucionar primeiro a questão da pandemia e depois a crise econômica.

As declarações do senador alagoano foram feitas na noite desta quarta-feira (21), em entrevista à CNN-Brasil. Renan disse que Bolsonaro está desesperado em formar uma aliança   para revitalizar os canais da política e afirmou que “se Bolsonaro continuar a cometer erros” não haverá Centrão que consiga livrar seu pescoço.

“O meu diagnóstico é que o presidente Bolsonaro faz um governo errático, tem cometido vários erros e essa procura desesperada, no momento em que a circunstância se agrava por uma aliança no Congresso Nacional pela revitalização dos canais da política, eu acho que é uma coisa tardia. Porque qualquer aliança, necessariamente, ela precisa acontecer em torno de propósito, de objetivos e não meramente de cargos. Isso acaba sendo uma consequência em todo país. Mas eu acho que se o Bolsonaro continuar a cometer erros não há Centrão que consiga livrar o pescoço dele. Porque a situação tem se complicado a pandemia tem se revelado muito grave, parece crescer em proporção geométrica e nós precisamos fazer alguma coisa. E o presidente da República não pode, de forma nenhuma, significar um entravo a qualquer solução”, disse o senador.

Renan Calheiros disse que viu como positiva a conversa de Bolsonaro com o Congresso e com os governadores, ambas ocorridas nesta quinta-feira, e declarou que o presidente não pode continuar a agir como se estivesse no “Olimpo”.

“Eu acho que hoje foi um grande dia, porque o que se espera de um presidente da República é que ele tenha gesto no sentido de construir uma convergência pelo o que ele significa. Claro, o Bolsonaro teve 57 milhões de votos, se elegeu para ser presidente da República, mas ele imagina que foi indicado para o Olimpo, e isso não pode continuar a acontecer. É preciso ter prudência, é preciso ter muita racionalidade, mas é preciso manter as instituições na delimitação da democracia, e é isso que os outros poderes estão tentando fazer, sobretudo o STF”, avaliou.

Calheiros disse o presidente da república precisa ter gesto, precisa encadear fatos políticos que restaure a sua condição e que Bolsonaro se elegeu para representar o Brasil e não para representar um nicho de poder.

“Ele tem sido muito hábil na criação de fatos diários para colocar fatos que não são tão importantes no lugar de fatos importantes, que dizem respeito, realmente, ao destino do nosso País. Esse é um truque que ele tem conseguido fazer praticamente todos os dias, mas isso faz com que ele apenas ganhe tempo. Paute a política, a imprensa, a Cultura, mas isso efetivamente não resolve nada. Porque essa crise atinge o mundo como um todo e o nosso país está desguarnecido. Não há se quer uma coordenação central liderada pelo Presidente da República, e o presidente está perdendo a cada dia a condição de exercer a sua liderança. E quando não se exerce a liderança acaba-se perdendo a autoridade. E o Brasil já testemunhou alguns exemplos de Presidentes que, isolados, perderam a autoridade e cumprimentaram seus mandatos”, articulou

Renan continuou: “Se ele não mudar, se não fizer uma rápida autocritica, se não encadear fatos como esse de hoje, a reunião com os governadores, para que ele peça desculpas ao pais, pela agenda macabra, pelo pouco caso que ele fez do necessário isolamento social, pela maneira como ele brincou com a pandemia, eu acho que a situação vai se esgarçar cada vez mais e, como eu disse, fica muito difícil construir uma solução que preserve seu mandato. Por isso que eu acho que ele tem que conversar, repetir, reproduzir o que fez hoje com os governadores”, completou.

Sobre a próxima eleição para a presidência do Senado e da Câmara, cuja movimentação e articulações políticas já se iniciaram em Brasília, mas que só ocorrem em fevereiro de 2021, Renan, que comandou o Senado por quatro mandatos, disse que o assunto deveria ser adiado, pois há crises importantes para tratar no momento.

“Eu acho que a eleição para presidente do Senado e da Câmara elas têm um calendário próprio, elas acontecerão em 1º de fevereiro. Eu acho que nós devemos, ao máximo, delongar essa discussão, esse debate, para não criar ainda mais motivos para o afastamento das correntes. É preciso fazer uma convergência, construir a unidade, dar um espaço para a paz, para que nós possamos ter uma política pública nacional, liderada pelo Presidente da República, de enfrentamento ao coronavirus. E no pós-coronavírus, uma agenda também multipartidária de enfrentamento da crise econômica, de retomada do crescimento da economia, e isso só pode acontecer se ninguém priorizar os seus objetivos. Nem do ponto de vista pessoal, nem do ponto de vista partidário”, falou o senador.

Para Renan, Bolsonaro tem se isolado, não é visto com respeito no exterior e precisa fazer uma autocrítica para mudar seu comportamento como chefe de uma nação

“Acho que o presidente tem se isolado, o exterior faz uma gozação do governo. A imprensa também, com investigações simultâneas, desacredita a mentira que em alguns momentos foi levada à baila, enfrenta essa coisa do ódio, da descriminação, da imolação da democracia, e acho que ele precisa, o mais rapidamente possível, precisa fazer uma autocrítica, conversar, pedir desculpa, sobretudo a família das vítimas das mais de 20 mil mortes acontecidas no Brasil [...] aqui essa pandemia avança em proporção geométrica e é preciso fazer alguma coisa”.

Renan Calheiros também avaliou que Bolsonaro tem perdido apoio popular de forma paulatina e que se não fizer nada para mudar o fato, continuará perdendo mais apoio do seu eleitorado, pois as crises tendem a se aprofundar.

“Aqui no Brasil, além da crise sanitária, da crise econômica e da crise social, nós também temos inútil crise política, que não se resolve, e era a primeira crise que nós teríamos que resolver. Há uma carência indiscutível de líderes, as pessoas precisam compreender que, mais do que nunca, precisamos encontrar saídas e unificar todo mundo em torno dessas soluções. No primeiro momento para vencer a pandemia, no segundo momento para recuperar a economia que vamos precisar bastante. ”

Com relação as críticas dos eleitores de Jair Bolsonaro ao Senado, casa a qual faz parte, Renan Calheiros disse que os Poderes no Brasil estão correndo atrás do próprio rabo, pois há uma crise política “inútil” alimentada pelo presidente, mas que em alguns casos conta com a colaboração dos outros poderes.

“No ponto de vista do Congresso, eu acho que nós não podemos exagerar com relação ao desequilíbrio fiscal, nós temos no pós-pandemia uma economia, a sétima do mundo, a recuperar e nós precisamos ter responsabilidade com isso. E reclamam muito do Supremo Tribunal Federal, porque o Supremo, e tem que ser o Supremo que faz o controle da constitucionalidade, ele tem contido os excessos do presidente e não há como ser diferente”, disse o senador.

Sobre as afirmações de que a “velha política está rendida à corrupção”, dita pelo presidente e seus apoiadores, Renan disse que foi “citado” em praticamente todas as delações, inclusive de delatores que “ se quer” o conheciam. O senador também afirmou que o STF já arquivou 2/3 das acusações.

Renan disse que foi perseguido pelo Ministério Público que teria feito uma campanha pública, com fake news, com a participação dos “bolsominions” e de deputados que hoje também são contra o governo. Calheiros disse que a imprensa também colaborou com a “criminalização” de parlamentares da dita velha política.

O senador alagoano encerrou a entrevista afirmado que não têm mágoas do Governo pelo episódio da eleição à Presidência do Senado, a qual disputou contra Davi Alcolumbre, mas confessou ter mágoa do processo, que, segundo ele, teve tentativa de mudança no regimento. “Não guardo absolutamente nenhuma mágoa, até porque eu nunca tive nenhuma proximidade com esse Governo. Eu tenho mágoa do processo. Nós tivemos uma tentativa de mudança do regimento, nós tivemos o prolongamento da eleição pelo segundo dia, as pessoas tiveram voto aberto, quando o voto que tinham que fazer era um voto secreto em defesa do regimento”, pontuou Renan

 

*Sob supervisão da editoria