Foto: Enem / Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Enem

De uma hora para outra, alunos que costumavam a ir até as escolas para que pudessem assistir aula, tiveram suas rotinas interrompidas, devido às consequências da pandemia do Covid-19, o novo coronavírus. 
 
A nova realidade tem causado sérias e preocupantes consequências para aqueles que não possuem acesso a internet, com tanta facilidade, tendo em vista, que esse tem sido um dos poucos recursos para que alunos que estão concluindo o ensino médio no Brasil, possam tirar dúvidas e estudar com amplos conteúdos para realizarem a prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, que é considerado a principal porta de entrada ao ensino superior no país. 
 
Para buscar entender um pouco das consequências da manutenção do calendário do Enem 2020, o Cada Minuto ouviu o posicionamento de alguns especialistas que se mostraram contrários a essa decisão defendida pelo Ministério da Educação (MEC)
 
O deputado estadual Marcelo Beltrão, que também é presidente da comissão de educação, cultura e turismo da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL), afirmou que “o Mec erra em manter esse calendário” e que o objetivo de promover democratização ao ensino, têm sido ferido. 
 
“Diante do cenário de pandemia que vivemos em nosso país, considero um erro a manutenção do cronograma do Enem. Esta é uma avaliação que tem como um dos objetivo democratizar o acesso às Universidades e Faculdades e, se realizado este ano, fere este objetivo, promovendo o aumento da desigualdade social”, afirmou o parlamentar. 
 
Marcelo espera que essa decisão possa ser revista e destaca que está buscando mecanismos legais para que possa junto com o Mec e outros legisladores, viabilizar uma outra solução. ‘’Cria uma desigualdade para os alunos que não possuem acesso a internet neste momento, mas ainda esta semana, encaminharemos ao Ministério da Educação, um expediente para que possamos mostrar o nosso posicionamento diante desta situação", finalizou o parlamentar.
 
A desigualdade começa na qualidade de ensino
 
Já para o professor de redação, Luiz André Medeiros, a desigualdade já começa na qualidade de ensino de uma escola pública para uma escola particular que essa diferença consequentemente acaba afetando o bom desempenho do aluno nas provas do Enem. 
 
“É histórico, as universidades públicas são em sua grande maioria preenchida por pessoas vindas de escolas particulares", disse o professor.
 
Além de ser contrário a manutenção do calendário do Enem 2020, o professor de redação fundamenta  com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) que nem todos os brasileiros possuem acesso a internet. "39% dos domicílios no país  não possuem nenhuma forma de acesso a internet. É impossível haver igualdade quando a gente avalia esses dados. O princípio de que deve haver igualdade, ele fica só lá na constituição".
 
Por fim, Luiz André Medeiros destaca que caso o Enem 2020 realmente aconteça, o exame vai privilegiar ainda mais aqueles que são privilegiados. "Vai privilegiar justamente  aqueles que possuem uma capacidade econômica maior e aqueles que possuem mais recursos", finalizou.
 
Mas diante de tudo isso, o Cada Minuto resolveu dar início ao PROJETO SABER SOCIAL. Todos os dias, disponibilizaremos uma aula de um renomado grupo de professores do nosso Estado, para atender aos interesses dos alunos como um todo e, principalmente, dos que não têm como acessar conteúdos pagos em plataformas digitais que preparam para o ENEM.
 
O projeto buscou uma parceria com professores como Luiz André Medeiros, de Redação, Jaguarassu Neto, de Matemática e Phillipe Alves, de Física para proporcionar conteúdo nesse momento em que as instituições educacionais estão fechadas. As aulas podem ser acessadas através do YouTube, no canal ‘CADAMINUTOTV’.
 
*Sob supervisão da editoria