Arquivo/ Agência Brasil Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Crianças da educação infantil em sala de aula

A decisão judicial que obriga as escolas particulares a oferecer desconto de 30% do valor total de cada mensalidade a partir desse mês foi a solução para muitos pais que vinham buscando chegar a uma negociação juntamente com a unidade educacional. Mesmo com a suspensão das aulas devido a pandemia do coronavírus, muitos estabelecimentos de ensino mantiveram as cobranças mensais normalmente, o que acabou gerando a ação judicial.

Para Manuella Costa, a decisão judicial foi acertada em alguns pontos, já que cada escola tem suas particularidades, no entanto para os grandes estabelecimentos, principalmente as grandes redes de ensino, somente iriam adotar tal medida por “imposição”, como ocorre na escola onde filhos são estudam.

“A realidade de cada escola é uma, não podendo ser tratada todas de igual para igual. Acredito que uma escola de bairro que tem pessoalidade com seus clientes sofrerá em uma proporção muito maior que uma escola impessoal, como redes de ensino renomadas até nacionalmente. Mas sim, no meu caso específico, a escola somente tomaria atitude se fosse imposição. Então, não tem mais como “ignorar” os questionamentos e pedidos dos diversos pais que foram simplesmente cozinhados em banho maria”, disse ela.

Ela conta ainda que tentou negociar com a escola pela única ferramenta disponibilizada, via email, mas a única posição que recebeu foi o parcelamento do valor em 6 vezes, mesmo estando adimplente com todas mensalidades. “Retornamos o email informando que não pretendíamos financiamento, e sim, desconto. Uma vez que o serviço contratado não estava sendo entregue 100%, e que, para valorizarmos a escola, que é a extensão de nossa casa, precisávamos ser valorizados, e que, do mesmo jeito que fomos abalados financeiramente, a escola tinha sim, baixado seus custos de despesa em geral, podendo sim ofertar descontos aos pais sem distinção”, acrescentou ela.

Muitos tentaram sem sucesso

Mãe de uma menina de 7 anos, Danielle Albuquerque tentou entrar em negociação com a escola no início do mês, quando conseguiu cancelar alguns serviços ofertados e diminuir a despesas, mas não o desconto na mensalidade. “Soube q tinha escola que já estava dando 30%. Porém, a escola nunca marcou a reunião para isso”.

Com o isolamento, a filha passou a ter aulas online em casa, no entanto não fácil adaptar a nova rotina, já que ela estava trabalhando no sistema home office. Segundo Danielle, a aulas eram de 5 a 8 minutos por dia, o que a motivou ainda mais pedir o desconto.

“Isso foi um dos motivos pelo qual queria falar com a escola. Afinal, estava pagando por uma mensalidade que no final só estava me sendo repassado 8 minutos de aula e que seria contado como dia letivo, ou seja, não iria ser reposto. Podemos pagar a mensalidade.  Só que nenhum pai está recebendo o serviço que foi contratado. Houve um desgaste muito grande e as escolas que começaram a oferecer os descontos acho que foi mais devido a ação impetrada pelo Ministério Público. Por que, muitos mais muitos pais mesmos estavam tentando sem sucesso”, afirmou ela, acrescentando que não há uma solução fácil ou simples para esse problema.