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Novo estudo do Imperial College de Londres, um dos principais Centros de modelagem matemática e estatística de doenças infecciosas, foi publicado nessa sexta feira (08.05), estimando os casos de Covid-19 e o número de reprodução no Brasil. Dessa vez, o relatório traz uma análise de 16 estados da federação que apresentam um número superior a 50 óbitos causado pela pandemia (acesse aqui).

São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Amazonas são responsáveis, juntos, por mais de 80% dos óbitos de todo o país e um elevado grau de pessoas infectadas em relação ao total da população.

A intensidade da transmissão no início no país era muito alta, situando-se entre 3 e 4 infectados por uma pessoa transmissora do vírus. As fortes medidas de distanciamento social tomadas por governadores e prefeitos forçaram a queda do ritmo de contágio e reprodução de infecciosos. O número de reprodução caiu pela metade. No entanto, nos 16 estados analisados as estimativas apontam que a epidemia ainda não está controlada, muito pelo contrário, apresenta tendência de crescimento, pois o número que cada indivíduo infectado pode transmitir o vírus é acima de 1 (número de reprodução = R). Essa ameaça de crescimento da pandemia aconteceu devido ao desrespeito por parte da população das medidas de isolamento e falta de maior controle e vigilância por parte das autoridades. Isso fez o nível de distanciamento cair na maioria do país abaixo dos 50%.

A conclusão do relatório mostra que estamos numa tendência inversa de outros países da Europa e Ásia, que após a imposição de fortes bloqueios à mobilidade de pessoas conseguiram reduzir o R abaixo de 1.

Observando o relatório, vemos que em Alagoas o R=1,27 um pouco abaixo da média entre os 16 estados com maior número de óbitos, R=1,4. O estado com maior número é o Pará, 1,9 e 5,05% de sua população infectada, e o menor é Santa Catarina, 1,14 e 0,2% do total de pessoas infectadas.

Os resultados do relatório do Imperial College se aproximam dos estudos realizados pela equipe de cientistas e pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas, dos Institutos de Física, Matemática e Computação. Esses trabalhos têm subsidiado o trabalho do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, especialmente para avaliarmos a dinâmica da situação em Alagoas (acesse aqui). Embora eles como outros utilizados para basear o Comitê apontem para um R=2, em vários estados do Nordeste, como Alagoas. Um detalhe muito importante quando vemos a pandemia migrar dos bairros mais nobres para as regiões vulneráveis e pobres das principais cidades e do interior.

Então, se Alagoas quiser debelar a pandemia, trazer maior tranquilidade para a sociedade e não estressar, extraordinariamente, o seu sistema de saúde, elevando ainda mais o número de óbitos em razão da falta de leitos de UTI e precarização no sistema de atendimento em condições de grande demanda, deve continuar com as medidas de distanciamento social, se necessário endurece-las (inclusive fechando fronteiras, especialmente com Pernambuco), fazer cumprir os decretos estadual e municipal (capital).

Com isso, poderemos reduzir o número de reprodução para menos de 1, como assim fizeram países da Europa e Ásia, que primeiro saíram dessa grave crise. Dessa forma podemos pensar em um retorno gradual e seguro, brevemente, das atividades econômicas e à vida “normal” pós-pandemia.

 

Fábio Guedes Gomes

Membro do Comitê Científico do Consórcio Nordeste

Diretor-Presidente da Fapeal

Presidente do Confap