Fábio Guedes
Fábio Guedes

O exemplo de Winston Churchill

Fábio Guedes Gomes|

Em mais um ato público na manhã desse domingo (03.05), o Presidente da República participou e apoiou um ato público que desrespeitou, simbolicamente, as mais de 7 mil vítimas da Covid-19 e suas famílias, pois não estamos em momento para esse desatino.

Profissionais da imprensa foram agredidos durante a manifestação. A História cobrará muito caro daqueles responsáveis, que desde junho de 2013, construíram os pilares que dão sustentação a nossa frágil democracia até aqui.

Mais grave ainda é o comportamento daqueles que hoje, após tantas promessas e compromissos assumidos pelo atual Presidente, ainda se postam ao seu lado para apoiar, cegamente, irracionalmente e, na maioria das vezes, de maneira oportunista, com frontais ataques a qualquer pessoa, instituição e movimento que seja crítico ao governante de plantão.

Com o fascismo não há diálogo, política de cooperação ou comportamento de solidariedade. É preciso combater esse mal de extrema-direita com atos reais, com interdição dos seus movimentos, com a prisões dos seus líderes e com a desmobilização de suas manifestações, pois não são democráticas, não defendem as liberdades. Muito pelo contrário, atacam, agridem, violam e desejam que o autoritarismo impere na condução dos destinos da sociedade, que ele se imponha sobre a maioria da vontade social. São anticonstitucionais!

Em setembro de 1938, o então Primeiro Ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, seguiu para Munique, Alemanha, com objetivo de tentar convencer Adolf Hitler de que em troca de algumas reivindicações territoriais da Alemanha, os Nazistas suspenderiam os avanços sobre a antiga Checoslováquia. Participaram da reunião além dos dois, Benito Mussolini, do Partido Nacional Fascista italiano e Primeiro Ministro, e Édouard Daladier, Presidente do Conselho da França, espécie de Primeiro Ministro. No dia 29 daquele mês assinaram o famoso Acordo de Munique.

Chamberlain retornou à Inglaterra e nas suas mãos o papel com as assinaturas de todos quatro. Empunhando-o para a população, bradava que tinha alcançado "a paz para o nosso tempo". Seis meses depois o nazifascismo liderado por Hitler rasga o Acordo, invade a Checoslováquia e prepara sua mais ousada jogada: tomar a França e marchar sobre Paris, cidade que tanto admirava. Daí, partiria para combater a Grã-Bretanha. Winston Churchill assume o comando do país em 1940 e não se enganou com os nazistas. A Inglaterra sob sua liderança enfrentará duramente os alemães.

Precisamos de muitos com o mesmo espírito de Churchill no Brasil. O "tempo de Chamberlain" já passou. Urge conter os grupos de extrema-direita no país, armados por milicianos, paramilitares, gangs virtuais, muitas financiadas por empresários inescrupulosos etc. Se isso não acontecer, veremos ainda momentos de terror, como se não bastasse a guerra que já estamos travando contra a Covid-19

SOBRE O AUTOR

Doutor em Administração com ênfase em Instituições e Políticas Públicas [NPGA/UFBA]. Mestre em Economia Regional e Graduado em Ciências Econômicas [UFPB]. Professor da Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Alagoas [UFAL] e das Pós-graduações em Economia Aplicada [CMEA], em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação [PROFNIT] e em Administração Pública [PROFIAP]. Membro Associado do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento [Rio de Janeiro]. Diretor do Periódico Científico Revista Brasileira de Administração Política [Escola de Administração, UFBA/Editora HUCITEC, São Paulo]. Diretor Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL, desde janeiro de 2015.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Todos os direitos reservados