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O depoimento de Sérgio Moro na Polícia Federal-PF em Curitiba, em virtude das investigações que analisam as interferências de Bolsonaro na PF, por motivos pessoais, mostra o quanto é seletiva a condução de algumas investigações.     

Quando juiz, Moro determinava que a PF conduzisse pessoas de qualquer lugar do Brasil para depor em Curitiba, sede das investigações, de forma coercitiva, a forma como a condução ocorria já condenava as pessoas antes mesmo das sentenças serem proferidas, pela forma depreciativa que ocorriam.

Hoje, Moro deixou de ser juiz para ser testemunha, ao invés dele ser conduzido pela PF até a sede das investigações, em Brasília, para depor, com toda a pirotecnia que era destinada a seus alvos, um conjunto de delegados que foi de jatinho ao seu encontro em Curitiba.

Uma grande diferença de tratamento! Quando a igualdade se faz necessária, porque é princípio fundamental em qualquer Estado de Direito, em qualquer país em que seu povo e instituições atuem à luz da democracia; porque o próprio Moro defendeu por diversas vezes que ninguém está acima da Lei, ou seja, que todos devem receber o mesmo tratamento.

Mas o desejo nas entrelinhas até este parágrafo não é que o tratamento dado à Moro deveria ter sido do tipo pirotecnico que expõe, humilha, ridiculariza... o tratamento que Moro e qualquer outra testemunha, réu ou investigado deveriam ter é o tratamento respeitoso, profissional, que zele pela integridade física e moral.

Que as investigações e os processos judiciais não sejam transformados em espetáculos midiáticos para assassinar reputações. No caso das sentenças que condenam, um massacre público castiga em dobro. No caso das sentenças que absorvem, até que estas venham a ser definidas, o massacre público já castigou muito mais que uma sentença judicial condenatória, com o agravante que ao julgamento público não cabe nenhum recurso.

Que tenhamos compaixão das pessoas, atrás de um investigado ou condenado, há um ser humano. Os julgamentos perante a lei dos homens cabe apenas aos magistrados dentro dos processos, perante a lei de Deus cabe apenas à Ele. A melhor forma de demonstrar que queremos um comportamento melhor das pessoas é nos comportando como achamos que outras pessoas deveriam ser, civilizadas!

 

Facebook: Claudia Petuba

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