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A pandemia colocou no centro do debate uma série de questionamentos, assuntos e tem nos feito rever as formas de viver e de relacionamentos.

Também, permitiu enxergar até onde vai a ignorância humana, mesmo nos extratos mais inteligentes de nossa raça.

A ignorância convive com a sabedoria, andam lado a lado. A segunda trava uma batalha corrente contra a primeira, e invariavelmente vence. Nesse momento a ignorância tem tomado a dianteira, mas não será por muito tempo. Haverá de vencermos essa guerra e será pelas armas da ciência.

A opção de perder para a ignorância deriva de muitas razões, mas a principal delas são a falta de condições materiais ou vontade e sede pelo conhecimento. Para a maioria da sociedade em um país como o Brasil, a inapropriada “habilitação” ("entitlement"), nos termos do economista indiano e ganhado do prêmio Nobel, Amartya Sem, é o principal impeditivo para superação da ignorância.

Por outro lado, a vontade de conhecer, ter sede pelo conhecimento são comportamentos mais subjetivos. Muitas pessoas são inteligentes, se informam muito, leem com frequência, estudam etc. mas continuam enfiadas na profunda ignorância. E aqui dois elementos podem ser inseridos. O primeiro deles é a arrogância. Não basta o indivíduo ser inteligente, bem formado e instruído. Seu desejo é dominar todos os assuntos possíveis e inimagináveis, como se olhasse a realidade e os fenômenos, arvorando-se na competência de discuti-los com propriedade, questionando e tentando desmontar os mais lógicos fundamentos e argumentos de quem de fato é especializado em determinadas áreas.

O segundo elemento é intrinsecamente relacionado com o primeiro: a ética. Se por ética entendemos ser um conjunto de valores que determinam os comportamentos dos homens em sociedade na busca pelo bem-estar social comum, tem razão Aristóteles que a ética resulta do procedimento e não o contrário.

Portanto, a ignorância humana tanto pode independer da falta de ética como dela deriva. É nesse segundo aspecto que percebo diante dessa crise de saúde coletiva, a completa ignorância permeando a sociedade pela falta de ética, desde a consideração da pandemia como uma gripezinha, às “análises” sofistas que defendem a suspensão das medidas de distanciamento social justificando que o número de óbitos, em termos percentuais, é muito pequeno em relação a população total, questionando frontalmente o que acusam de alarmistas nas estimativas baseadas em modelos científicos epidemiológicos.

É muita falta de ética e caráter minimizar a crise provocada pela Covid-19 e transformar em números relativos apenas as pessoas que morrem e levam um pouco da vida de quem estava ao seu lado. É o cúmulo da ignorância, da irracionalidade humana. Estamos no caminho de chegar ao número de mortos nos EUA de 50 mil pessoas. E pode ser muito pior, dependendo de quem leva vantagem no país: a ignorância ou a sabedoria