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Chegamos a um momento decisivo em Alagoas. Até aqui, as medidas de distanciamento social surtiram efeitos e retardaram o crescimento da curva epidemiológica. Sem os decretos governamentais, certamente reproduziríamos a dinâmica de algumas capitais, como Manaus, Fortaleza e Recife, com uma curva muito mais acentuada e um número de óbitos bastante elevado, pois o sistema de saúde (leitos SUS e da rede privada) não estaria preparado, já teria entrado em colapso muito mais cedo.

Outro aspecto importante: a epidemia teve início nos bairros mais nobres da capital alagoana, como aconteceu nas cidades de São Paulo e Fortaleza. Principalmente na parte baixa de Maceió. Em tese, é um território onde o nível de conscientização quanto à importância do isolamento social é maior; as condições sanitárias e de saneamento, as mais adequadas; e o padrão econômico permite aos pacientes buscar atendimento médico na rede hospitalar privada. Esses aspectos contribuíram para o achatamento da curva em seu início.

Como aconteceu em São Paulo, Fortaleza e Recife, a contaminação comunitária contribuiu para a expansão e o crescimento dos casos de pessoas infectadas com a Covid-19 nas regiões periféricas e cidades do interior. Por essa razão, os leitos de hospitais e unidades de saúde começam, rapidamente, a serem ocupados em um ritmo maior. Na primeira semana do mês de maio, ultrapassaremos mais da metade da capacidade do SUS de internação em UTI, com o número de óbitos alcançando entre 80 e 100 indivíduos.

Justamente neste momento mais delicado de crescimento mais acelerado dentro da curva, com números de casos de contaminação e óbitos aumentando, um alerta que o pior está para chegar, que o nível de distanciamento social tem caído para menos de 50% em todo o estado.

Sabemos que o pior vem pela frente, mas precisamos minimizar a tragédia que se avizinha, contada pelo número de pessoas que irão à óbito. Pelas estimativas que temos, por volta do dia 15 de maio, podemos não ter leitos suficientes de UTI/SUS para atender a todos, especialmente os cidadãos que dependem da rede pública de saúde. Mesmo considerando todo o esforço do governo estadual em criar leitos e infraestrutura, faltarão espaços e equipamentos para o atendimento de urgência.

As pessoas são portadoras e transmissoras do vírus. Então, não há razão ou justificativa plausível para afrouxar a política de distanciamento social. Ela deve ser sustentada na casa dos 50%, ou mesmo ampliada, durante todo o mês de maio. A recomendação para que se continue com as medidas de isolamento social encontra-se em todos os cinco boletins produzidos pelo Comitê Científico do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste - Consórcio Nordeste. Em Alagoas, deve-se aumentar e não diminuir o distanciamento social no mês das Mães.

 

Fábio Guedes Gomes

Membro do Comitê Científico do Consórcio Nordeste

Diretor-presidente da Fapeal

Presidente do Confap