Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Estamos em um momento crítico, momento de criseS com s maiúsculo. Crise da saúde, crise econômica, crise política… Mas uma, em especial, vem me preocupando muito principalmente porque poucos estão atentos a ela. É a crise da educação.

Sempre defendi educação como base principal de qualquer sociedade que se preze, agora não seria diferente. Sabemos que a educação pública enfrenta grandes desafios, que vão desde a falta de estrutura física adequada, a evasão escolar até a desvalorização do professor. Em 2020 esses desafios continuam existindo, com um agravante importante: o coronavírus.

Com a chegada do vírus, nossos alunos passaram a não poder frequentar o ambiente da sala de aula, para evitar aglomeração. Várias perguntas surgiram a partir dessa proibição: “Como o aprendizado vai ocorrer?” “Os alunos vão perder o ano?” “E o calendário escolar?”. Perguntas, essas, que precisam ser amplamente debatidas e respondidas. Esse é o objetivo desta que vos escreve, ampliar o debate e buscar soluções junto à sociedade alagoana. 

Em Alagoas, temos aproximadamente 170 mil alunos regulamente matriculados na rede estadual de ensino. São 170 mil jovens que estão sem frequentar aulas e, provavelmente, vão ficar mais um bom período de tempo longe das salas de ensino. O governo do Estado desenvolveu o "Regime Especial de Atividades Escolares não Presenciais”, mecanismo que vai instituir a aula remota para os alunos da rede pública. Importante entendermos que aulas remotas são diferentes de aulas de EAD, tendo em vista os princípios utilizados, EAD tem metodologia própria e diferente das adotadas nas salas de aula tradicionais. O que vem sendo proposto a Alagoas, e vou um pouco mais além, ao Brasil, é um ensino que se assemelha ao EAD apenas no uso da tecnologia como vetor.  

Sabemos que a realidade entre os alunos é bem diferente, mesmo dentro da escola pública. A desigualdade social é presente. Possuímos alunos em extrema vulnerabilidade e que vão à escola apenas para se alimentar, grande preocupação que trago comigo. Me permitam o parêntese para dizer que a esses alunos o governo alagoano decidiu instituir uma ajuda de custo no valor de 50 reais, através de lei de nossa autoria. Mas e quanto ao aprendizado? Esses alunos, com toda certeza, vão encontrar mais dificuldades. 

A internet em muitos casos não é de fácil acesso, isso quando o conexão pode existir. Segundo o IBGE, em pesquisa publicada em 2017, mais de 40% das residências alagoanas não tinham acesso a internet.  O que implica dizer que a falta de aulas presenciais, com certeza afetará negativamente a aprendizagem em Alagoas. Afinal, as dificuldades são reais. É necessário que encontremos saídas para diminuir os impactos provocados pelo novo coronavírus, e minimizar as perdas educacionais que vamos enfrentar. A pergunta que fica é: como resolveremos todos esses problemas? Esse é o grande desafio. Não ha resposta fácil, mas uma coisa é certa: precisamos agir urgentemente, o futuro dos nossos alunos não vai esperar.