Foto: Cortesia / Arquivo Pessoal Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Dra. Paulette Farias Eckert

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) forçou uma mudança repentina no dia-a-dia das pessoas. Ao redor do mundo, a quarentena e o isolamento social estão sendo as principais medidas de prevenção à propagação da doença, seguindo-se as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Famílias inteiras estão em suas casas, acarretando, entre outros aspectos, um aumento do tempo de utilização de celulares e computadores. Crianças e adolescentes foram afetados pelo fechamento das escolas e, diante desse cenário, o uso da internet se tornou a única possibilidade de manter a rotina de aulas, bem como o principal meio de socialização.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta importante, no último dia 15 de abril, para os riscos que crianças correm de sofrerem cyberbullying, exploração e assédio sexual online ao passarem muito tempo em plataformas virtuais de forma incontrolada, além da exposição a conteúdos inadequados e violentos. Para aprofundar essas questões, o Cada Minuto conversou com Paulette Farias Eckert, médica pediatra e psicóloga atuante na área de Saúde da Família.

A especialista explicou que podem ser vários os impactos ao bem-estar de uma criança por estar em situação de isolamento. “Ela pode ter euforia, não conseguindo dormir direito, angústia, agressividade e até apresentar um quadro de depressão”.

Sobre o excessivo uso de computadores e smartphones, Paulette fala que problemas posturais e de vista, além de distúrbios alimentares, são alguns dos malefícios que podem surgir como consequências, e alerta para o fato de que a constante exposição em redes sociais pode atrair pessoas desconhecidas e até pedófilos de plantão.

 “É muito importante que os pais fiquem atentos e saibam com quem a criança está conversando, quem é que está do outro lado da tela. Isso não é invasão de privacidade, é cuidado. E existem várias formas de controle para que ela não consiga acessar conteúdos que não sejam compatíveis com a faixa etária dela”, afirmou a pediatra.

Preocupada em acompanhar os passos do filho de 9 anos no ambiente virtual, Ana Paula Vieira, analista de suporte técnico computacional, conta que consegue proteger e monitorar os acessos dele através de um aplicativo que define o limite de tempo de uso, bloqueia downloads e programas que não estão de acordo com a sua idade, assim como registra tudo o que ele faz online.

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 “Tenho a minha conta do Google conectada com a conta dele, e tudo o que ele for fazer é preciso que tenha a minha permissão. Não é só uma questão de não ter confiança no meu filho e saber que ele pode ser assediado, mas também porque acho que ele é muito jovem ainda”, explicou Ana Paula.

Ela conta, ainda, que seu filho chegou a questionar o fato dela ter lhe dado um smartphone, mas sem que ele pudesse usar totalmente o aparelho. “Foi uma longa conversa, tive que explicar que não é questão de não confiar nele, porque sei que é um menino responsável, mas é uma questão de proteção, e que quando ele tiver um pouco mais de idade vai entender tudo isso, essas restrições”, contou Ana, que emendou dizendo que seu filho tem apenas o WhatsApp no celular, de modo a manter contato com ela e parentes próximos.

Para reduzir os riscos, o Unicef recomendou que educadores e pais estejam alertas para garantir que as experiências online sejam seguras e positivas, e que os principais serviços de proteção infantil permaneçam abertos e ativos durante esse momento crítico da pandemia.