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O que planeja afinal o presidente da República? Pária internacional, desmentido diariamente por seus próprios ministros, Bolsonaro aumenta sua aposta na distorção da realidade, na mistificação sobre tudo e na agressão a autoridades e a instituições. E claro que, todo santo dia, sobra para a imprensa, alvo do ódio visceral do sujeito que idolatra tortura e torturadores. Na crise do coronavírus, o chefe do Executivo faz de tudo para conflagrar o ambiente, numa clara opção pelo tumulto, pelo conflito na política.

Para o incapaz do Planalto, o que interessa é tirar proveito no jogo do poder. Bolsonaro não está preocupado com trabalhador nenhum. O discurso de que o “Brasil não pode parar” não passa de um acanalhado slogan de campanha eleitoral. Com essa ideia na cabeça, o chefe da seita mira no seu gado fiel, aqueles que vivem feito dementes “causando” nas redes sociais. Não dá em boa coisa.

Massacrado em páginas da chamada grande imprensa, que finalmente deu um passo na direção correta, o presidente parece cada vez mais isolado politicamente. Alvo de repúdio em toda parte, tratado como um perigoso palhaço no noticiário internacional, nosso líder não lidera nada, nem inspira confiança em ninguém. Mas, ainda assim, ele radicaliza na postura de inimigo público.

Desde que a crise ganhou a dimensão atual, Jair Messias coleciona derrotas no Legislativo e no Judiciário. Suas tentativas de atropelar as medidas médicas recomendadas pelo próprio Ministério da Saúde foram devidamente barradas. Até na Lei de Acesso à Informação o elemento tentou mexer, numa tentativa de se aproveitar do momento para anular, na prática, uma conquista democrática.

Também nesse caso Bolsonaro perdeu. Numa canetada, o ministro do STF Alexandre de Moraes derrubou os efeitos de uma medida provisória que restringia o acesso a dados e informações do governo. Vejam que, no meio da crise inédita, o presidente está atento a brechas que possam lhe garantir mais poderes, avançando sobre direitos previstos em lei. Por que essa prioridade oficial?

Haveria um autogolpe a caminho, dizem algumas vozes no debate geral brasileiro. O presidente insufla a bagunça, promove a discórdia, sabota as vias lógicas da administração. E para quê? Com o circo em chamas, ele convocaria o patriótico Exército para bancar uma nova ditadura.

O Planalto e a esplanada dos ministérios já estão tomados pelos militares desde o primeiro dia de governo. Desde a posse, há um ano e três meses, Jair não parou de nomear capitães, coronéis e generais em todas as áreas da máquina federal. A base armada vem sendo fortalecida sem parar.

Uma imagem que pintou nas últimas horas é bastante reveladora. Para enquadrar as coisas a seu modo, nessa pauta do coronavírus, Bolsonaro escalou o general Braga Neto, chefe da Casa Civil. E lá estava o patriota na entrevista coletiva que antes seria exclusiva do Ministério da Saúde. E Mandetta?

O titular da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, aceitou a humilhação, com sua postura “técnica”, pra ficar no cargo. Como é que um troço desses pode dar certo? O presidente está em atrito com seu próprio ministro, em tese a autoridade maior sobre a pandemia no país. Bolsonaro quer mais confusão.

Essa espécie de autogolpe é tratada por vários e diferentes atores em Brasília, segundo relatam reportagens em diversos veículos. Cada um aponta os aspectos que mais sinalizam a rota autoritária do presidente desqualificado. Cada dia, uma bomba. E nessa toada, a tensão vai ficando generalizada.

A ver os próximos lances da guerra particular de Bolsonaro contra a democracia brasileira. Como disse, as instituições – e a imprensa – mostram que a aventura do capitão da tortura terá resistência. Apreciador de tiranos e ditaduras, Jair não indica um recuo. E tudo isso no meio de uma pandemia.