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A crise instalada pela pandemia de Covid-19 impõe um desafio incomum para governos e demais esferas da vida pública. Na real, quem (ou que segmento) estava preparado para algo dessa magnitude? O ineditismo é um dos fatores mais inquietantes para quem precisa tomar decisões frente ao panorama que se impôs repentinamente. Em diferentes níveis, autoridades precisam agir em meio a muitas dúvidas, com a cobrança do acerto, sem praticamente nenhuma certeza sobre quase tudo. O que fazer então numa hora dessas?

As decisões oficiais interferem abrupta e amplamente na rotina das pessoas. Mas a maioria dos brasileiros concorda com medidas restritivas para superar a crise, segundo apontou pesquisa Datafolha. Ou seja, se é para vencer o gigantesco problema, algum sacrifício será plenamente justificável. Aos governantes, a obrigação número um é a responsabilidade, com atenção à ciência.

Embora não seja caso único no mundo, o Brasil exagera na briga entre os que pregam medidas consideradas extremas e aqueles que enxergam “pirotecnia” em ações como o isolamento social. Bolsonaro segue detonando as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Do outro lado está a maioria dos governadores e prefeitos que baixaram decretos que “paralisam” a economia.

Parar a economia. Quebrar o país. Essa é a ladainha dos que reproduzem o discurso do presidente incapaz. Segundo o capitão, fechar comércio, empresas e indústrias terá efeitos muito mais catastróficos do que as mortes decorrentes do coronavírus. E, com esse ponto de vista, entrou numa guerra particular com os governadores, principalmente com João Doria, de São Paulo.

Em Alagoas, estamos sob o decreto do governo estadual, em vigor há uma semana, com previsão de dez dias de duração. Vai até a terça-feira, 31 de março. Mas as normas podem ser prorrogadas, como deixou claro o governador Renan Filho ao anunciar o decreto. Depende dos resultados.

A renovação das restrições elevará a insatisfação de empresários que contestam o isolamento social. Seguem a filosofia Bolsonaro. Na coletiva em que anunciou o decreto, o governador disse que haveria fiscalização rigorosa para garantir o cumprimento das regras excepcionais. A tensão vai subir.

Ao menos até agora, Renan Filho e o prefeito Rui Palmeira agiram dentro dos padrões aplicados mundo afora. A regra geral entre governos de incontáveis países é a redução da atividade econômica e do deslocamento de pessoas. Parece o caminho do bom senso e da necessária prudência.

De quebra, uma coincidência da política marca o trabalho conjunto de governador e prefeito. Os dois tratam do assunto agora como aliados, um cenário inverso até um dia desses. Como se sabe, a dupla se uniu em nome da candidatura de Alfredo Gaspar de Mendonça à prefeitura da capital.

Fora isso, Palmeira e Renan Filho passaram ao público a imagem de entrosamento no dia do anúncio do decreto (foto). Concretamente, é um fator relevante, porque em alguns estados há ordens e contraordens entre governador e prefeito rivais na política. Se cada um aponta numa direção, sobra, ainda mais, para as populações à deriva. Não parece a melhor alternativa para buscar soluções.

Como o pico da pandemia ainda está a caminho, autoridades não podem subestimar o potencial de letalidade do vírus e relaxar na prevenção. O presidente da República está decidido a passar os piores exemplos. E claro que suas loucas ideias incentivam seguidores, com e sem mandato.

Se vai ou não prorrogar o fechamento de empresas e a suspensão de serviços de variados ramos, o governo do estado tomará a decisão a partir dos dados que surgirem nos próximos dias. É algo a ser pesado com cautela, com prioridade absoluta à vida humana – e não às bolsas de valores.