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A revista The Economist dessa semana (28.03/03.04) vem com duas capas, uma referente a Grã-Bretanha e outra aos EUA. Nas duas, reportagens sobre o crescimento do papel do Estado na intervenção social, com os respectivos governos assumindo papéis substanciais no combate ao COVID-19 e suas consequências econômicas.

É a maior presença do papel do Estado já vista depois da II Guerra Mundial, especialmente no isolamento das pessoas e fechamento de atividades econômicas e produtivas. As duas publicações ressaltam que somente isso pode compensar uma crise econômica ainda maior. Até parece contraditório: a paralização de grande parte da sociedade promove uma brutal recessão econômica para que a extensão da pandemia não promova uma ainda mais catastrófica.

Os conteúdos das matérias são contundentes: "O Estado tem que agir decisivamente". Chama atenção, ainda, que os impactos ainda não começaram a ser contados no mundo subdesenvolvido. Os números ainda são inexpressivos no continente africano e na Índia, onde os sistemas de saúde são extraordinariamente frágeis. Nesses lugares, conforme está apontado, "Os dados oficiais não começam a contar a história". As economias nessas regiões sofrerão absurdamente no mesmo instante que precisarão elevar os investimentos em saúde e para reduzir o número de mortos, juntamente com os gastos para compensar a perda do ritmo das atividades econômicas e proporcionar bem-estar para trabalhadores, isolando-os com a garantia de uma renda mínima para sobrevivência durante o período de lockdown.

As previsões são as mesmas para um país de porte continental como o Brasil, que está apenas no início da contaminação. O problema central é que nossas autoridades federais não acreditam na ciência, na realidade dos fatos e na comprovação dos milhares de mortos. Como esperar do Ministério da Fazenda medidas enérgicas como estamos observando nos EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e China se o viés ideológico no campo econômico é extremamente arraigado, ainda por cima há uma forte sintonia com o chefe do executivo no sentido de atenuar a crise epidêmica? A postura do Ministério da Saúde é completamente diferente, mas o Ministro Mandetta já sente no lombo a espada de Dâmocles!

Pelo Brasil afora crescem as pressões sobre os governadores dos segmentos econômicos para que se relaxem as medidas preventivas. Os empresários não estão em tudo errados. Claro que existem muitas preocupações, interesses envolvidos etc. Certamente a grande maioria deles têm consciência da gravidade da situação e sabem da importância das políticas de isolamento social. No entanto, erram completamente o alvo. Deveriam exigir do governo federal medidas e políticas inspiradas naquelas assumidas e executadas pelos países supracitados. Os governadores têm grandes responsabilidades para com as populações, principalmente as parcelas mais frágeis. Nesse dilema entre a vida e a economia os governos centrais mundo afora conseguem equilibrar salvando a todos. Os governadores brasileiros não têm esse cacife. Enquanto isso, o governo federal lava as mãos e entrega o país a sua própria sorte, irresponsavelmente, amparado em suas convicções ideológicas e interesses politiqueiros.  

Muitas medidas e propostas de ações já foram apresentadas. Um grupo amplo de pesquisadores e economistas do Instituto de Economia da UFRJ apresentou uma extensa lista de pontos relevantes nesse sentido (acessar a proposta aqui). Outro grupo de economistas entrevistado pelo Jornal Nacional na noite de 25.03 também deu uma enorme contribuição com ideias importantes. Faço parte de um outro que escreveu também uma proposta (acessar a proposta aqui). Ou seja, saídas existem no campo econômico...