Assessoria Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true José Carlos Lyra, presidente da Fiea

Diante da crise que assola o país devido ao coronavírus, eis que surge uma série de preocupações que se desdobram. Já comentei aqui e repito: é falsa a dicotomia criada entre se discutir “saúde” ou se discutir “economia”. Esses assuntos estão totalmente interligados e envolve a sobrevivência de muita gente, inclusive a dos mais vulneráveis que necessitam de uma rede de proteção social que é ofertada pelo poder estatal. Não há como fugir disso. 

 

Trata-se, evidentemente, de um ciclo, pois é do setor produtivo que vem a arrecadação para a manutenção das atividades “fim e meio” do Estado. Com isso, os recursos necessários a manter programas essenciais que possuem como função amenizar e/ou combater a miséria. Além disso, o principal programa de combate à miserabilidade, que é a geração de empregos, seja na formalidade ou na informalidade. 

 

Então, quando se joga luz na economia, nesse momento, não se faz apenas discutindo números ou preocupado com os “mais ricos” etc. É justamente o contrário, a preocupação é global e com a subsistência, pois quanto mais no topo, mais força o sujeito tem para aguentar esse período de parada quase que total da atividade econômica, mas quanto mais na base, mais difícil, pois são justamente aqueles que estão com empregos ameaçados ou, na informalidade, não possuem como conseguir recursos de imediato. 

 

Essas pessoas passam a depender de paliativos, mas isso tem um prazo. 

 

Nesse sentido, destaco aqui as recentes falas – por meio da sua assessoria de comunicação – do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra. Ele tem detacado que muitos empresários e muitos trabalhadores vivem tempos de incertezas em relação ao futuro e se houver períodos mais longos de isolamento social o impacto começará a ser incalculável. Além disso, chegará o momento em que o Estado não mais vai conseguir chegar com seus tentáculos de “proteção” por não mais ter as fontes que sustentem isso. 

 

Reitero: é um ciclo. 

 

Obviamente que, de um lado, há a preocupação com o cotágio e com o colapso do sistema de Saúde (obviamente que está correta), pois é preciso medidas de achatamento da curva, não pela letalidade do vírus em si, que é baixa. Mas pela forma como atinge os grupos de risco e pessoas com comorbidades, e como isso impacta em um sistema de Saúde que já possui sua demanda e suas falhas nesse país...

 

Todavia, do outro lado, o arrefecimento da atividade econômica provoca prejuízos que acabam sobrando para o trabalhador. Essa preocupação – como mostrou recente reportagem da jornalista Vanessa Alencar – também está na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismos (Fecomércio). 

 

Lyra disse temer demissões em massa em função da paralisação da atividade industrial no Estado. E, segundo ele mesmo, a posição dele começa a ganhar o apoio dos presidentes de todos os sindicatos industriais. Ele ressalta a necessidade de medidas preventivas – muitas delas tomadas pelo governo estadual – mas chama atenção para o perigo de um excessivo rigor que provoque mais danos sociais. 

 

A maior consequência para o presidente da Fiea é um “abalo severo nas finanças das empresas, obrigando-as a adotar medida drásticas de contenção de despesas após o longo pereiodo de máquinários parados”. 

 

“Não podemos fechar tudo. Há que se permitir o funcionamento das indústrias, assegurando que seus trabalhadores estejam protegidos”, defendeu. Ele complementa afirmando que sem a retomada da atividade econômica, “o remédio será pior que a doença”. Lyra frisa que é importante sim combater a pandemia, mas “sem arruinar a economia e, consequentemente, o país”. 

 

“Temos que pensar agora como ficaremos quando tudo isso passar. Quem vai pagar a conta do desemprego provocado pelo fechamento de empresas? Ninguém pode ignorar que vai sofrer, como sempre, quem ficará sem trabalho!”, pontou.

 

Em Alagoas, o possível aumento das taxas de desemprego, causado pela suspensão da atividade econômica, “poderá resultar no aumento dos índices de violência, no agravamento da pobreza”, salienta ainda.

 

“O que temos que pensar é que as empresas não estão produzindo. Se não produzem não têm receita, e assim não têm como pagar seu pessoal. Não é o que queremos! Portanto, apelamos para que as ações de enfrentamento ao coronavírus não impliquem em prejuízos e riscos à indústria!”, declarou José Carlos Lyra.

 

Agora, lembro alguns pontos discutidos pela jornalista Vanessa Alencar, ao entrevista o assessor econômico da Fecomércio, Felipe Rocha. O Estado – conforme a matéria – possui de maneira formal 220 mil empregados nesses setores representados pela entidade. Isso representa 66% dos postos de trabalho de todo o Estado. 

 

Em resumo: são 198 mil empresas, cujo número de micro e pequenos negócios chega a 165 mil. Para se ter ideia, estamos falando de quase metade do Produto Interno Bruno (PIB): 49%. Não são apenas números, são vidas. São pessoas que hoje não estão conseguindo ter renda e estão com dificuldades para adquirir os bens mais básicos. Na informalidade, isso já ocorre de forma mais grave. 

 

Os dados portanto não podem ser desprezados e nem podem ser deixados de fora da discussão do que se deve fazer daqui para frente. Solução? Não é fácil. É preciso, de fato, ouvir especialistas de vários setores, de forma urgente, e buscar consensos sem extremismos. Portanto, repito o que já disse em outros textos: ainda acumulo algumas dúvidas sobre qual o caminho mais correto e não gostaria de estar na pele de governadores, nem do presidente. É pressão. Espero que sejam iluminados para as melhores decisões.