Reprodução Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Bolsonaro durante pronunciamento em rede nacional.

O pronunciamento oficial feito pelo presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (24) minimizando os efeitos do novo coronavírus, mesmo em tempos de pandemia, chamou a atenção de várias entidades e associações médicas. A repercussão negativa se deve ao fato de as atitudes do presidente contrariarem as recomendações feitas pelo Ministério da Saúde, pasta que faz parte do Governo Federal.

No vídeo que circulou pelas redes sociais, Bolsonaro afirmou que, em uma pessoa “saudável”, os sintomas e o impacto físico seriam os de uma “gripezinha”. No texto, o presidente ainda criticou a posição dos governadores de estados brasileiros e disse que precisam abandonar a definição de terra arrasada e retomar as suas vidas normalmente, exceto os mais idosos e pessoas que fazem parte do grupo de risco, como asmáticos, diabéticos e hipertensos, que devem realmente ficar isolados.

A minimização que foi feita por Jair Bolsonaro em relação ao COVID-19 provocou respostas de entidades de profissionais de Saúde que descordam das declarações feitas pelo presidente.

Os secretários de saúde do Nordeste publicaram uma carta após o pronunciamento de Bolsonaro. No documento, os secretários se disseram preocupados pela discrepância das atitudes presidenciais com as diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde.

"Não é nosso desejo politizar esse problema. Já temos dificuldade demais para enfrentar. Não podemos cometer esse erro. Vamos continuar fazendo nosso trabalho. Não nos parece que a posição exposta pelo Presidente seja a do Ministério da Saúde, que tem conduzido tecnicamente", dizia a carta.

Quem também se posicionou foi a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). A entidade disse que a declaração de Bolsonaro pode dar a falsa sensação à população de que as medidas preventivas tomadas pelos governos estaduais e por outros países não são necessárias.

“Quando a COVID-19 chega à fase de franca disseminação comunitária, a maior restrição social, com fechamento do comércio e da indústria não essencial, além de não permitir aglomerações humanas, se impõe. Por isso, ela está sendo tomada em países europeus desenvolvidos e nos Estados Unidos da América. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e todos os demais profissionais de saúde estão trabalhando arduamente nos hospitais e unidades de saúde em todo o país” diz a nota oficial da SBI.

Além disso, a Sociedade reforçou a necessidade das pessoas continuarem o isolamento social, afirmando ser essa a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras nesse momento. Ainda de acordo com o documento a epidemia é dinâmica, assim como devem ser as medidas para minimizar sua disseminação.

O presidente do Conselho Regional de Medicina em Alagoas (Cremal) e infectologista, Fernando Pedrosa disse que a entidade ainda não discutiu sobre o pronunciamento oficial do Presidente para se posicionar, mas a opinião dele enquanto especialista na área de infectologia segue o raciocínio da declaração de Jair Bolsonaro.

De acordo com Pedrosa, só existem duas maneiras de cessar uma epidemia: vacina, que não é o caso nesse momento, ou quando atinge aproximadamente 50% de uma população. Mas, segundo ele, apesar de poder afetar metade das pessoas de uma região, o potencial do COVID-19 não vai sequer demonstrar sintomas na maioria dos infectados.

"O dano social e econômico é muito maior do que os pacientes que vão adoecer. Temos que isolar os velhinhos e as pessoas com outras doenças associadas, mas tirar as crianças das escolas, por exemplo, é desnecessário. Elas não vão morrer, vão ter sintomas de uma gripezinha comum", afirmou o infectologista.