Foto: Instagram/ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Parlamentares realizam sessão virtual

Os deputados estaduais repercutiram, na manhã desta quarta-feira (25), durante a sessão virtual da Assembleia Legislativa, o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de ontem (24). Entre apoios e repúdios, teve até deputado que lançou a “campanha” #FicaMandetta.

Primeiro a repercutir o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Cabo Bebeto defendeu que o comércio deveria reabrir no dia 01 de abril. Segundo ele, o prazo é razoável para que a saúde tenha tempo de criar leitos e principalmente para que os autônomos sobrevivam sem trabalhar.  “Precisamos começar a amadurecer essa ideia. Policiais estão fechando até oficinas e o decreto permite que elas funcionem. Estamos vendo o desespero das pessoas. Estamos preocupados com um problema criando outros que serão maiores”, disse.
 
Bebeto afirmou que é preciso que os grupos de risco continuem se cuidando, isolados, mas “que as demais pessoas possam trazer o alimento para casa”: “As pessoas estão desesperadas porque não estão conseguindo trabalhar. A Assembleia precisa discutir isso”.
 
Seguindo o entendimento do colega, o deputado Bruno Toledo disse que no momento de pandemia, sair do conforto do “politicamente correto é corajoso” e defendeu que o “Jair Bolsonaro não fugiu do estilo próprio e falou com dados”.
 
“Ele falou que a questão climática do nosso país é diferente da Itália. Isso é verdade. O presidente hora nenhuma falou de retomada geral do convívio social, mas que grupos de risco precisam continuar reclusos. São dados mundiais: as mortes estão centralizadas nos grupos de risco, acima de 60 anos e para outras pessoas, estão sempre associadas a outros tipos de doença”, explicou Toledo.
 
Para o parlamentar, Bolsonaro não “desdisse” em momento algum o que tem falado, assertivamente, o ministro da Saúde: “O que ele (Bolsonaro) tenta fomentar é que o problema que será gerado na economia será talvez maior do que o que pode ser gerado da saúde. Não dá para conviver muito tempo com o isolamento social. O Brasil precisa retomar economia, porque os efeitos da paralisação podem ser mais nocivos que o de saúde... Enfim, o presidente fala com seu jeito peculiar que o problema econômico precisa ser visto”.

Contrários

A parlamentar Cibele Moura lamentou a fala do presidente em rede nacional para “relativizar a gravidade da crise que estamos vivendo, chamando de gripezinha o Coronavírus”. “No momento que o mundo adia as Olimpíadas, ele diz que pelo seu histórico de atleta curaria a gripe facilmente, colocando nossa população a confrontar informações, a não saber em quem acreditar... Eu defendo o empreendedorismo, o emprego, mas é preciso senso de responsabilidade”, afirmou Moura.

Para ela, não é momento de politizar, mas é preciso seriedade. “É urgente encontrar alternativas para o confinamento, mas sem ataque a ciência. Com cautela, como está ocorrendo no mundo inteiro. Ou o mundo inteiro está  errado e o presidente certo. Espero que estejamos pagando pelo excesso, mas não acredito nisso”.
 
Cibele disse ainda que o presidente errou ao ir à TV e fazer um pronunciamento irresponsável. “A gente precisa do anúncio de um plano de medidas concretas e o presidente faz política mais uma vez”.
 
Outra parlamentar que se manifestou sobre o assunto foi Jó Pereira. Ela disse o ministro da Saúde é dedicado e competente, e que, Bolsonaro fez uma fala “minimizando o que está ocorrendo no mundo”: “Bolsonaro perde a oportunidade de liderar e dialogar com a sociedade em um momento tão importante... Ele usou a tática errada. Uma tática de politizar o que não pode e nem precisa ser politizado”.
 
A deputada pediu ainda que o presidente da República seja líder e “lidere de maneira responsável” e não passando insegurança para os brasileiros.
 
#FicaMandetta

 
Já Davi maia defendeu que a fala de Bolsonaro foi “desastrosa, pelas palavras que ele utilizou”: “É lógico que temos que nos preocupar com o desenvolvimento econômico do país. É nesse período que grandes líderes aparecem e hoje esse grande líder é o ministro da saúde, o Mandetta”.
 
Maia pediu que “pelo amor de Deus”, o ministro não entregue o cargo. “Porque se não vai entrar em seu lugar o presidente da Anvisa, que é mais doido que o presidente da República”, disse, “lançando” a  #FicaMandetta: “Não entregue seu cargo. Você é o líder que precisamos”.
 
Por fim, Dudu Ronalsa também lamentou o pronunciamento e disse que fica preocupado com o que o presidente vai falar. “Talvez se ele tivesse mais cuidado… Tem coisas que ele fala que não cabe no momento. Ele precisa nos passar segurança”.