Foto: Estadão Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Coronavírus

Caros (as) leitores (as), 

 

O momento em que vivenciamos não é fácil. Além da questão da pandemia que enfrentamos todos esses dias – na quarentena – somos bombardeados por todo tipo de informação. Infelizmente, há quem aproveite o momento para mentir, para fazer politicagens ou simplesmente para tirar proveito. É, caros (as), a complexidade humana envolve tudo isso. 

 

Não falo apenas dos políticos aproveitadores, mas também daqueles que não podem ver uma oportunidade para disseminar a mentira.

 

Governos – sejam eles quais forem, nas esferas federal, estadual ou municipal – vão cometer acertos e erros diante dessa situação que envolve elementos imprevisíveis. Eis a razão pela qual precisamos nos ater aos fatos, muito mais a esses do que as narrativas construídas com interesses ideológicos ou políticos, pois elas existem. 

 

Há sim, por exemplo, uma parcela de culpa do governo chinês, o que não significa dizer da população chinesa, pois ninguém é mais vítima dos péssimos governos que a própria sociedade local. Queiram ou não os “inteligentinhos” de plantão, o regime na China é sim uma ditadura que esconde informação de seu próprio povo e do mundo. Logo, não é nada confiável.

 

Longe das teorias das conspirações, com as quais não comungo em nada, o governo chinês tem culpa por ter escondido informações no início do contágio, chegando a coagir um médico. Isso, em regimes como o chinês – em que pese a abertura para o capitalismo – é um método, pois é a mesma essência da forma de lidar com as informações repassadas ao mundo na época do ocorrido em Chernobyll. 

 

Claro que não se compara as tragédias, pois possuem todas as diferenças. Mas ao método dos governos lidarem com o conhecimento necessário a ser passado ao seu povo e ao mundo. A grande lição: Estados totalitários e com poderes concentrados demasiadamente em suas mãos mentem. Aprendamos de uma vez por todas essa lição em nome do presente e do futuro. 

 

Essa é uma das questões. E é impressionante como quando alguém a aponta, surgem aqueles que passam a defender, com todas as forças, o governo chinês.

 

Todavia, é necessário tomar medidas diante do que se deu. O caso da Itália é de fato assustador e todos os países – com razão – passam a temer. Mas, não percamos de vista o seguinte: uma sociedade em pânico é tudo o que um governo precisa (qualquer um, pois pouco importa aqui a ideologia) para tomar medidas drásticas e ir esticando a corda sem dar satisfações. 

 

Ora, evitar aglomerações nesse momento, buscar trabalhar para baixar a curva de contágio (independente da letalidade do vírus), para que o sistema de Saúde não entre em colpaso é igualmente urgente e necessário. Porém, não deixemos o pânico roubar o bom senso que leva ao questionamento das coisas. Afinal, precisamos também pensar no futuro, pois isso também envolve vidas. 

 

Não esqueçamos que já estamos em um país de cenário econômico incerto, com milhões de desempregados, que vem se recuperando de PIBs negativos, com deficit preocupante, que não pode descuidar demasiadamente nesse sentido. É que uma quebradeira geral também trará consequências em vidas reais. Não são apenas números. São empregadores e empregados que necessitam sobreviver para uma retomada gradativa da economia. Em outras palavras, são vidas. 

 

Nesse sentido, caros (as), o governo federal tem acertado sim – a meu ver – quando toma ações preocupado em três eixos: medidas que visam a manutenção dos empregos, medidas do combate à pandemia e focado na curva de contágio e ações de integração entre estados e prefeituras, como se mostrou – finalmente – nessa semana. Espero que essa integração se amplie deixando picuinhas de lado, sobretudo as fisiológicas, ideológicas ou meramente eleitoreiras.

 

É preciso unificar discursos e ações. O governo federal anunciou – somente na segunda-feira – R$ 55 bilhões para trabalhar em várias frentes, soube recuar em relação a pontos de uma Medida Provisória, que gerou de fato uma discussão etc. Além de tantos outros recursos, facilitação de linhas de crédito, antencipação de dinheiro aos mais vulneráveis, como no caso do décimo terceiro salário para aposentados e por aí vai. 

 

Há outros entes também nessas frentes, com ações sendo tomadas de forma gradativa. O Ministério da Saúde tem agido sim, bem como o da Economia e até mesmo o da Infraestrutura. 

 

Em Alagoas, há muito trabalho sendo realizado pelo governo estadual e também reconheci isso em texto recente. Não dá para ser engenheiro de obra pronta, pois determinadas medidas são tomadas sob pressão, o que já traz um perigo em si, e levo isso em conta. O momento, portanto, por pessoas em cargos serem também humanos, pode gerar declarações fora do tom. Faz parte. 

 

É fundamental não perder o senso crítico. Fui crítico da medida de requisição administrativa do governo, pois poderia ser feito de outra forma e com outro tipo de diálogo com empresários que não levassem a um ato agressivo que relativiza a propriedade privada e isso é sim perigoso. Pouco me importa se os empresários depois apoiaram o governo. Acho que Renan Filho errou nesse ponto. Mas aqui cito como um exemplo que, seja na esfera estadual, municipa ou federal, é possível discordar ou concordar e discutir medidas. Isso ajuda – se de forma séria – até mesmo na correção de rumos. 

 

Agora, entramos em um momento em que a informação é fundamental para monitorar o problema, pois a curva vai alavancar, como é esperado pelo Ministério da Saúde. Então, trabalhar com os dados concretos que descrevem a realidade é fundamental para as ações a serem efetivas, sobretudo com relação a pessoas como moradores de rua, os mais vulneráveis, os idosos em abrigos e uma parcela significativa da população que merece ser vista, não pode ser considerada invisível, pois há pessoas que sequer possuem a condição de irem para o isolamento social. 

 

É hora, por exemplo, do governo estadual lidar com recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) nesse sentido. Pode ser uma alternativa no atendimento aos mais vulneráveis. É hora de se pensar também nas medidas que possuem impacto econômico para não quebrar de vez diversas empresas que não possuem capital de giro para aguentar por muito tempo o decreto que hoje está em vigência. 

 

Encontrar alternativas, buscar a equalização de interesses envolve uma preocupação focada, mas jamais o pânico. Não esqueçamos que o pânico pode ampliar o poder coercitivo de um Estado e isso vira laboratório para medidas drásticas que abrem precedentes tão preocupantes quanto perigosos. 

 

Não esqueçamos nunca que há trabalhadores, empresários, pequenos e grandes, agentes públicos, enfim, dando uma cota de sacrifício nesse momento pelo bem comum, e que há também quem tente lucrar com tragédias em tudo que é lugar. 

 

E podemos sim fazer a nossa parte. Portanto, reitero: é importante o isolamento em função da curva de contágio. Mas, ouçam tudo atentamente, buscando informações cada vez mais precisas, sobretudo de quem realmente entende sobre o assunto: médicos sérios, profissionais de Saúde etc. 

 

Evitem repassar informações desencontradas, evitem as fake news, tenham cuidado no que consomem nesse sentido. É preciso pensar global. Isso significa dizer que, saúde e economia agora estão extremamente interligadas, pois se trata de presente e futuro. Se acharmos que são discussões separadas, temos tudo para tomarmos medidas erradas em nome do pânico e amargaremos um efeito colateral terrível quando o atual momento passar...