Foto: Reprodução / Youtube Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Basile Christopoulos

O Cada Minuto entrevistou o pré-candidato Basile Christopoulos (PSOL) que comentou sobre o cenário político e sobre as eleições municipais. Para eles, os nomes apresentados até agora “têm estreita relação com o bolsonarismo e sustentam um projeto neoliberal que já se mostrou equivocado no Brasil”.
 
01 – Alguns nomes já se colocaram como pré-candidatos à prefeitura de Maceió? Como você avalia estes nomes e o andamento do início dessa disputa? 
 
Os nomes apresentados até agora têm estreita relação com o bolsonarismo, e sustentam um projeto neoliberal que já se mostrou equivocado no Brasil. Maceió precisa de um prefeito que implemente e reforce políticas públicas, não de alguém que as destrua.

No mais, não se pode fazer política com base em visões simplistas de bem e mal, reduzindo as pessoas a criminosos ou cidadãos de bem, em que só esse segundo grupo mereceria atenção do município. Maceió é uma cidade excludente, que tem uma periferia com péssimas condições de moradia, segurança, acesso à saúde e educação. A gente precisa mudar esse quadro radicalmente. E os nomes apresentados até agora representam a continuidade desse quadro doente. 
 
02 – Enquanto cidadão, qual a avaliação que você faz da gestão de Rui Palmeira? 
 
A gestão foi desastrosa para a cidade. Termina sem ter implementado serviços de saneamento básico, saúde, educação e segurança. Falhou em todos os aspectos. Maceió se tornou uma cidade abandonada, sem infraestrutura de saúde - o que é especialmente grave no momento que passamos - e segue como uma das cidades mais violentas do país, seja pelas imensas desigualdades sociais, seja pela falência do serviço público. Os servidores públicos municipais são maltratados, não tiveram o devido reajuste salarial, não são respeitados. Não se faz concurso público para as principais áreas. Paga-se uma fortuna numa sede provisória. A prefeitura de Maceió sequer tem uma sede definitiva depois de 8 anos de mandato. Eu teria vergonha de sair depois de 8 anos sem ter resolvido questões tão básicas. 
 
03 - Como você detalha a atuação da nova política nestas eleições?
 
É preciso ter cuidado com a expressão “nova política”, que nas eleições passadas foi muito utilizada para apresentar um projeto de poder fundado na ignorância. No estado de Alagoas, a expressão parece representar novos rostos que fazem conchavos com as velhas oligarquias que sempre dominaram a cidade e a fizeram o que é hoje. A família do prefeito está há 100 anos no poder. A do governador está há pelo menos 40 anos. No entanto, seguem reciclando velhas fórmulas sob novos nomes para se sustentarem. Para fazer uma nova política é preciso já começar com uma forma diferente de fazer aliados, com base em ideias, não em força financeira, e também uma forma nova de fazer a campanha, sem gastar uma fortuna, conversando com as pessoas, que foi como fizemos na campanha de 2018, onde saímos com 8,2% dos votos em Maceió. 
 
04 – Alguns acordos estão sendo firmados, dentre eles alguns que aos olhos do eleitor seria impossível, como você avalia isso? 

Ao que tudo indica haverá uma candidatura apoiada ao mesmo tempo pelo prefeito, governador e presidente, demonstrando que, para não perder a eleição, todo tipo de conchavo é possível. 
Na verdade as pessoas se espantam porque nunca viram nesses anos todos o governador de Alagoas e o prefeito de Maceió trabalharem juntos, por estarem em forças políticas opostas num determinado momento. E agora, para não perder o poder político no município, parecem irmãos criados juntos. A verdade é que todos dois representam a mesma coisa, e as diferenças nunca foram tão grandes. É só uma pena que tenham evitado por tanto tempo trabalhar em conjunto em prol da nossa cidade. É preciso acabar com essa noção de que se o prefeito ou governador é de um partido diferente do meu, não vai ter recurso ou não vai trabalhar em conjunto. Quem for eleito tem que trabalhar para o município com o governo estadual e federal que estiver aí, apesar de todas as divergências. 
 
05 – Caso venha existir um segundo turno nas eleições e seu nome não esteja entre os protagonistas, qual dos candidatos você gostaria de apoiar e por quê? 
 
Apoiaria qualquer candidatura que apresentasse uma proposta democrática e progressista para a cidade de Maceió. No entanto, até agora nada parecido foi aventado.
É por essa razão que coloco meu nome na disputa. Para mostrar que uma outra Maceió pode e merece ser pensada. O projeto de poder em execução no Brasil hoje é muito perigoso. Já estamos vendo os efeitos danosos do teto de gastos para educação e saúde com a explosão do coronavírus. Um projeto que busca aumentar a violência contra os moradores da periferia, especialmente contra negros, mostra a seletividade dessas políticas, que não atendem às necessidades básicas da população. Penso que devemos caminhar no sentido oposto a esses projetos e é por isso que irei lutar. 
 
06 – Qual a sua principal ideia/proposta, caso você seja candidato?
 
Infelizmente, em se tratando de Maceió, embora a cidade seja linda e rica em possibilidades, é necessário voltar ao básico. Mesmo antes do novo coronavírus a cidade já não tinha a infraestrutura adequada para atendimento básico da saúde. Com o surgimento da pandemia, as necessidades de saúde somente se reforçam. O fato é que sem saúde e saneamento não é possível fazer nada quando se objetiva governar para o povo. Tenho certeza que, para além de todas as necessidades básicas do povo de Maceió que não estão sendo atendidas, como o grande índice de desemprego, a precária educação pública da cidade, a falta de oportunidade econômica e apoio aos pequenos comerciantes e ambulantes, a saúde é o que mais preocupa a todos, ainda mais numa cidade que tem baixo acesso aos programas de assistência básica de saúde e que também não tem acesso aos planos privados. Cuidar da saúde nesse momento é também garantir a volta da produção econômica, inclusive da indústria do turismo. São preocupações secundárias em relação à proteção à vida das pessoas, que é o verdadeiro foco, mas não podemos deixar de pensar que isso também tem importância.

Vivemos num caos urbano deteriorado pela falta de políticas públicas básicas e precisamos focar inicialmente em melhorar a vida do maceioense.
 
*Estagiário sob a supervisão da editoria