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Em política tudo é possível, reza uma velha lenda, também conhecida simplesmente como lugar-comum. Com essa premissa na cabeça, você e eu não temos o direito de ficarmos surpresos com isto ou aquilo nas jogadas eleitorais. Mas, convenhamos, vez por outra, as notícias parecem desafiar tudo, até a lógica mais elementar. Por exemplo: por que diabos um cara como Ronaldo Lessa (foto) aceitaria sair como candidato a vice na disputa pela prefeitura de Maceió? Seria o desfecho melancólico de uma trajetória de peso.

Não que o posto seja algum demérito na biografia de um político. Mas, para quem foi prefeito e governador, pintar como coadjuvante de um novato seria um retrocesso inexplicável. Escrevo isso porque, apesar de remota, a ideia de Lessa como vice de João Henrique Caldas ainda gera especulações em nossa imprensa. Nessa tabelinha, o único a ganhar é JHC, o menudo inexpressivo.

Outro nome cogitado como vice, agora numa chapa com o ex-procurador Alfredo Gaspar de Mendonça na cabeça, é José Thomaz Nonô. Secretário de Saúde na gestão do prefeito Rui Palmeira, o cacique do DEM também já ocupou lugar mais vistoso na vida pública brasileira. Ex-deputado federal, Nonô, é verdade, já experimentou a posição de número dois quando foi vice de Téo Vilela.

O caso de Ronaldo Lessa é mais escandaloso, digamos assim. Numa combinação sua com JHC, o natural seria que o filho de João Caldas fosse o vice, e não o contrário. Por isso, ainda que nada seja impossível nas maquinações políticas, suponho que o ex-governador não entrará nessa fria. Pelas entrevistas que já concedeu acerca da disputa de 2020, ele parece decidido a concorrer a prefeito.

Mudando de assunto, mas ainda tratando da eleição municipal, parece que há uma briga entre os pré-candidatos pelo eleitorado fiel a Bolsonaro em Maceió. Como escrevi em texto anterior, os mais fanáticos bolsonaristas ficaram chateados com a decisão de Alfredo Mendonça em se aliar a Renan Filho e a Rui Palmeira. Até então, a direita extrema via em Mendonça o candidato dos sonhos.

Nesse sentido, a última novidade, segundo leio no CADAMINUTO, é que a turma do PSL alagoano teria fechado acordo para apoiar a candidatura de Davi Davino Filho, do Progressistas. É o casamento da “nova política” com a velharia de sempre – ou seja, o casamento perfeito. Não sei se é definitivo.

Uma fonte secreta me conta que o deputado Cabo Bebeto, maior autoridade no PSL – embora trabalhe pela formação do Aliança, a legenda para Jair Bolsonaro –, negocia com outra hipótese na disputa pela prefeitura. Seguindo orientação de Brasília, o valente namora a candidatura de JHC.

Faz sentido. Para ampliar ao máximo o alcance das alianças, o deputado de Ibateguara também acha que precisa dos votos da seita bolsonarista. Haveria um problema: o que diria o tucano senador Rodrigo Cunha, parceiro de JHC, sobre esse arranjo com a tropa que exalta torturadores?

Na eleição de 2018, Rodrigo Cunha deixou clara sua filosofia de renovação da política. Corajoso que só ele, se negou a declarar voto a Bolsonaro ou a Haddad no segundo turno. Humanista para as arquibancadas, teve medo de melindrar a horda que segue o capitão. Ah, essa juventude idealista!

Seja como for, as negociações teriam avançado algumas casas nos últimos dois ou três dias. E como Bolsonaro ainda mantém os tais 30% de fidelidade do seu gado, todos pretendem, de algum jeito, piscar para o mundo das trevas. Estamos ainda na informalidade, digamos. Logo a coisa será oficial.