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Alagoana se divorciou e deixou relação abusiva

Foram mais de 20 anos de casamento para que a alagoana Bruna* percebesse que a relação dela não era um conto de fadas. O casal aparentemente mantinha uma boa relação, sem brigas; mas os problemas rondavam os dois. “A maioria deles por conta de dívidas”, disse Bruna, de 42 anos, ao blog.

As dívidas eram causadas pelo marido, que a distanciava da família sem ela perceber. “Ele me enganava me tratando com carinho e por isso eu achava que a relação estava boa”, contou.

O esposo não pagava a escola dos filhos, arrumava confusão, inventava brigas com a família dela [mantendo Bruna isolada] e fazia negócios com compra de carros e outros objetos. “Eu dava o dinheiro para que ele pagasse as dívidas, ele dizia que tinha pago e depois eu recebia a cobrança”, comentou.

Para Bruna, o ex-esposo não passava de um manipulador, mas como ele sempre mantinha a versão de um homem carinhoso e amoroso, os problemas sempre eram amenizados.

Com a morte da mãe dele que as coisas pioraram. “Ele se dizia depressivo, e eu acreditava. Foi quando começou o inferno. Hoje eu sei que era mentira, mas no tempo foi duro demais. Cuidei dele, levei ao psiquiatra”.

Traições foram descobertas

Não demorou muito para que a alagoana descobrisse as traições dele. E a partir daí, segundo ela, tudo mudou. 

Bruna descobriu que ele estava a traindo com a melhor amiga dela. “Ela andava na minha casa. Eu fui adoecendo com os problemas que estavam acontecendo. Escutei ligações dele com a amante, mas ele negava com uma força terrível e mesmo eu ouvindo tudo aquilo, era difícil admitir a verdade para mim e tomar uma atitude. Você avalia os filhos, financeiro, casa”, enfatizou Bruna.

Bruna disse que casou aos 20 anos e o conheceu aos 16 na igreja. “Eu era uma menina inexperiente, inocente, e fui obediente a ele. Tudo isso me prejudicou”. De acordo com ela, ele usou a religião e Deus para mantê-la sob o controle.

Com os inúmeros problemas e traições, ela começou a se afastar dele. Já não dormia mais na mesma cama e não sentia mais amor. Porém, um certo dia, ele agrediu a filha. “Ele agrediu com uma violência de um monstro. Eu tentei defender, mas não consegui muita coisa. Eu me deitei em cima dela, mas ele não parava. Até que eu consegui um flagrante, e ele foi preso”, contou.

Entretanto, após uns dias, ele foi solto e voltou até a residência deles, agrediu Bruna e roubou o dinheiro dela. “Só que aí ele foi preso novamente em flagrante e ficou preso sete dias. Depois dessa prisão, aí sim não voltou mais e ficou com medo de chegar perto da gente”. Com a prisão, Bruna conseguiu se separar e se arrepende de não ter deixado ele antes. 

O recomeço

Apesar dos desafios que a alagoana enfrentou, libertar-se de uma relação abusiva após anos trouxe para ela uma nova forma de viver, um verdadeiro recomeço. “Eu abro um sorriso. Costumo dizer que acabei de cair nesse mundo. Parece que acordei de um coma em um  outro século”, reforçou.

A nova Bruna decidiu por ela mesmo e tomou decisões importantes: não deixar mais ninguém constrangê-la ou agredi-la. “Procurei um esporte, fiz novas amizades, me aproximei da família e dos amigos. Hoje estou livre e feliz”.

Ela disse ao blog que passa por um processo ainda lento, mas que aos poucos consegue se sentir mais segura e mais bonita. “São muitas as dificuldade, obstáculos e existe medo também. Sentimentos que você ainda vai conhecer, situações as quais você ainda vai decidir como tomar a decisão, mas o maravilhoso é que você vai fazer e não é ele”, enfatizou.

Sentindo-se leve e feliz, Bruna manda um recado para as mulheres que ainda estão presas em relações abusivas. “Não adianta ficar com um relacionamento que te adoece e adoece seus filhos. Não é coerente dizer que não quer que eles fiquem sem o pai. O meu ex-esposo estava acabando com os próprios filhos. A  única coisa que se tem a fazer é tirar seus filhos e você dessa convivência doentia”.

Para ela, esconder das pessoas que tudo vai mal e manter falsas esperanças de que tudo vai ficar bem não é o melhor a se fazer. “Eu corri o risco de perder minha filha, ele quase a matou. As mulheres precisam confiar em seus instintos, em suas observações da situação, tomar decisões e planejar. Planejar qual o melhor caminho para conquistar sua liberdade, sua nova vida plena, cheia de conquistas e surpresas, porque com certeza absoluta ela será melhor”.

Hoje, Bruna garante que está vivendo novas experiências "deliciosas, adoráveis e surpreendentes".

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O nome da entrevistada foi mudado a pedido da mesma. 

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