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Júlia Nunes, presidente da AME

Neste domingo, dia 08, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma série de festividades estão programadas, no entanto, para milhares de mulheres esta data não é simplesmente para ganhar flores, bombons ou mensagens “fofinhas” em redes sociais. O que muitas querem não tem valor material, é respeito e direito a viver uma vida sem medo e com dignidade.

Para “ouvir” e dar “voz” a muitas mulheres que ainda sofrem os mais diversos tipos de violência, há seis anos a advogada Julia Nunes e outros 78 profissionais das mais diversas áreas como médicos, advogados, dentistas, assistentes sociais, esteticistas, fisioterapeutas, jornalistas, educadores físicos, pedagogos criaram a Associação de Mulheres – AME, que é uma organização não governamental que visa acolher mulheres vítimas de qualquer violência.

Em conversa com a reportagem do CadaMinuto, Júlia comentou que “já foram feitos quase três mil atendimentos e que a violência mais comum relatada pelas vítimas é a moral e psicológica, mas, a formalização das denúncias é de violências físicas.

No entanto, apesar de alguns avanços no tocante aos registros de violência contra a mulher, da Lei Maria da Penha e outros, “hoje nosso maior entrave é a falta de atendimento humanizado e especializado em delegacias, incluindo também a demora do processo no Judiciário, o que desestimula a vítima e termina fazendo com que a mulher desista de dar andamento à denúncia”, lamentou Júlia.

Ao questionar Júlia sobre qual o conselho que ela dá ás mulheres vítimas de violência, a advogada foi direta: “Salve-se, pois a violência é cíclica, inicia de forma sutil é só termina de duas formas ou através da morte (feminicídio ou suicídio) ou quando há a denúncia e consequentemente o término do relacionamento. Rezo e luto para que a escolha seja a segunda opção”, reforçou a advogada.

Cárcere do medo

Mesmo com as redes sociais e todas as formas que existem hoje de disseminar a informação e promover a conscientização sobre o assunto, “temos muito ainda o que avançar juridicamente e socialmente, principalmente quando se fala de direitos e garantias da mulher”, falou Júlia.

Apesar das adversidades, a advogada reforçou que “temos que comemorar cada libertação do cárcere do medo e da angústia que acontece dentro da AME! Nossa luta é árdua, mas nossa vitória é certa! Por mais que algumas achem que não, todas nós mulheres já nascemos fortes! Juntas venceremos”, celebrou.

Como denunciar

Caso a mulher seja vítima ou saiba de alguma que está enfrentando qualquer tipo de violência ou abuso pode fazer a denúncia na AME de forma totalmente sigilosa.

As mulheres podem entrar em contato pelas redes sociais e/ou site da AME que serão ouvidas e acompanhadas à delegacia e demais órgãos, garantindo um atendimento personalizado, explicou Júlia Nunes.

Endereços eletrônicos:

https://associacaoame.ong.br/#rede_de_apoio