Foto: Cortesia ao CM Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Ayane Lima abriu uma perfumaria em Maceió

O empreendedorismo é uma saída para mulheres que vêem a oportunidade ter mais tempo para si, ganhar seu próprio dinheiro e conciliar a carreira com o papel de mãe. Um estudo da Rede Mulher Empreendedora mostrou que 68% das mulheres empreendem após virarem mães.
 
A maternidade é como um gatilho para que elas invistam em suas próprias empresas. O Cada Minuto conta histórias de mulheres, em Alagoas, que tiveram um despertar após a maternidade para abrir um negócio.
 
Foi após o nascimento do primeiro filho que Ayane Lima, 27 anos, viu que não conseguia mais voltar à vida de antes. “Eu tinha acabado de passar na Ufal (Universidade Federal de Alagoas) quando engravidei e fui para as aulas até a barriga ficar gigante. Depois do nascimento, cuidei dele intensamente durante os 6 primeiros meses; depois, comecei a estudar possibilidades de voltar a trabalhar, mas não conseguia ninguém que pudesse se comprometer a cuidar dele e também não tenho dinheiro para pagar uma pessoa pra isso”, disse.
 
Ayane conta que entrou em uma crise existencial porque, apesar de amar o filho, ela também precisava trabalhar. “Só a renda do meu companheiro nunca foi suficiente, mas, apesar de todos os apertos, eu fiquei em casa. Não por que escolhi,  mas por que não tinha como sair mesmo”.
 
Ficar em casa fez Ayane buscar assuntos diversos para não cair no tédio, até que ela chegou na perfumaria. “No início eu só fazia coisas sintéticas. Para mim, depois comecei a mesclar com ingredientes naturais. E por fim, cheguei ao conhecimento da perfumaria botânica,  artesanal com óleos essenciais”.
 
Entretanto, foi apenas na gravidez do segundo filho que Ayane começou a fazer os perfumes para vender. “Um dia acordei cansada de estar cansada e decidi que, mesmo em meio a todas as dificuldades da maternidade e de ter pouco dinheiro, eu precisava apostar novamente na perfumaria. Até por que, quando você tem poucos recursos e certa urgência em se movimentar, você se compromete em fazer dar certo”, ressaltou.
 
A perfumaria de Ayane (@toquedefolha) tem sete meses no mercado, mas só há um mês que ela criou o Instagram para captar clientes. Para ela, o empreendedorismo traz benefícios que não teria se não fosse dona do seu próprio negócio. “Você consegue explorar a sua própria forma de ser profissional. Você tem espaço para fazer do seu jeito e na hora que for possível. Se só der para trabalhar de madrugada, eu que já sou mãe e já não durmo, sacrifico a madrugada para produzir”, explicou.
 
Amor pela área ambiental
A jornalista Alinne Menezes, de 38 anos, sempre se interessou pelo empreendedorismo. “Eu brinco de empreender desde os 13 anos. Já vendi tudo: Avon, lingerie, colchão magnético”, lembra.
 
Porém, o que mexia com o coração de Alinne era a área ambiental. Ela contou ao Cada Minuto que em julho de 2016 começou a revender biocosméticos de multimarcas, mas só em novembro de 2017 que ela criou a Ekonativa (que vende cosmético natural).

Alinne foi impulsionada pela vontade de não se afastar do trabalho e nem do crescimento da filha dela. “O que aconteceu comigo acontece com a maioria das mães. Quando a gente está trabalhando e volta da licença maternidade, você sente a necessidade de ficar mais em casa e pensa se realmente vale a pena ficar longe dos filhos”, afirmou.
 
A jornalista ressaltou que tinha dois empregos quando teve a sua filha. “Um eu fiquei mais de um ano, e o outro eu trabalhava à distância. Mas existe a necessidade financeira também e eu ficava em casa pensando no que empreender, mas nada funcionava”.


 A vontade de Alinne era de ter um salário bom, mas também ficar com a filha. “Não era qualquer coisa que eu queria pegar, mas eu via no empreendedorismo a maior oportunidade para mim”. A empreendedora precisou passar por uma barreira: a do investimento.
 
Segundo Menezes, ela não tinha o dinheiro para investir, o que fez com que ela demorasse a empreender. “Minha filha nessa época estava com quase 7 anos, mas durante muito tempo eu tentei empreender com outras coisas. Tudo isso era pra ficar mais tempo com ela. Eu pensava assim ‘se eu sair para trabalhar vou ter que ficar uma pessoa para ficar com minha filha e compensa?’ Eu pesava muito isso”.
 
Empresa de lanches saudáveis
 
A alergia do filho da nutricionista Janayna Lima, 39 anos, fez com que ela investisse em uma empresa de lanches saudáveis e inclusivos.
 
“O empreendedorismo sempre foi algo que eu queria independente da maternidade. A Le Nutri atende as necessidades dele já que ele é alérgico e nós temos o cuidado de não produzir nada que tenha leite”, comentou.
 
Para ela, um dos principais ganhos do empreendedorismo é a flexibilidade de horários. “Agora, sendo dona do meu próprio negócio, tenho mais tempo de ficar com meus filhos”.