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Já virou rotina vermos os noticiários anunciando os comentários mais inesperados possíveis do atual Presidente da República. Quando alguém me pergunta "viu a última do Bolsonaro?", já penso logo "qual a besteira da vez!?!".

Por impulsividade ou gestos/frases friamente calculados, acompanhamos atentamente se vamos ser acometidos por "vergonha alheia" dentro de casa ou se vai extrapolar os limites da brasilidade e estampar os noticiários do mundo como o desrespeito à primeira dama da França.

Tal comportamento serve como uma cortina de fumaça, para esconder o acelerado processo de venda das riquezas nacionais para proveito estrangeiro e corte de direitos. Reformas complexas tramitam no Congresso em ritmo acelerado, moldando cenários favoráveis aos que vivem de rendas e cenário mais catastrófico para os pobres e trabalhadores que lutam todos os dias pelo sustento da família.

A dureza das medidas são propagandas como uma necessidade urgente para se combater problemas antigos, como se um medo do país ruir por um imaginário ataque de esquerdistas rondasse os sonhos mais profundos do presidente. Como bem descreveu o filósofo polonês Zygmunt Bauman o medo não anda sozinho, "o medo e o ódio tem as mesmas origens e se alimentam da mesma comida: eles lembram os gêmeos siameses condenados a passar toda a vida na companhia recíproca". Daí entendemos melhor o veneno destilado pelo presidente contra pessoas e instituições num nível tão baixo que choca ao saber que algo tão grosseiro rompeu o limite do imaginário para chegar ao mundo exterior.

Os rumos do país vão sendo traçados num campo entre o medo e o ódio, a oposição se deixou fisgar para travar suas batalhas neste campo, propício para gestar vitórias ao bolsonarismo. Sem propostas convincentes para conquistar a opinião pública com clareza do que de fato está em debate, o debate político sai do campo da economia, do desenvolvimento social e humano para ódios de parte a parte, em que vence o que consegue estimular níveis mais elevados deste sentimentalismo doentio.

Que a política volte a ser instrumento que promova o bem comum, tenha seus debates travados no campo da racionalidade e sejam propositivos às soluções dos entraves sociais, geste sentimentos nobres que realcem a grandeza humana.

 

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