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Nas últimas semanas, a Equatorial virou saco de pancada de políticos alagoanos. A empresa assumiu o controle da Eletrobras Alagoas, antiga Ceal, nossa velha companhia de fornecimento de energia elétrica. E o que é que está pegando? Da bancada federal a nomes da Assembleia Legislativa, passando por vereadores, assim de repente, valorosos homens públicos decidiram bater forte na empresa. Estão muito preocupados com a qualidade do serviço prestado ao povo. A artilharia cresce a cada luz que se apaga.

Já falei aqui sobre a investida de marketing da Equatorial. Desde que assumiu o negócio da falida Ceal, a empresa investe na ocupação de espaços na imprensa. Agora mesmo, acaba de criar uma coluna semanal de informações em vários veículos de comunicação, incluindo este CADAMINUTO. Sem problema nenhum, afinal, é uma iniciativa legítima – e transparente – com o distinto público.

A ofensiva de certos nomes da política alagoana sobre a operadora, isto sim, é uma variável um tanto quanto estranha. Até parece que o serviço da Eletrobras era alguma maravilha. Não era. Tão ruim quanto a entrega da energia era o atendimento à população quando alguém buscava informações sobre eventual encrenca. A privatização era urgente. A antiga estatal servia ao velho corporativismo.

A gritaria de lideranças da política me lembra de casos antigos por essas bandas. Uma de nossas tradições é inventar confusão, fazer muito barulho, para criar as condições necessárias a alguma medida extrema. Recordo os tempos da antiga Telemar, a operadora que primeiro assumiu o controle e gestão da telefonia fixa e móvel em Alagoas. Isso ocorreu há cerca de duas décadas.

No remoto ano de 2003, uma das pautas na ordem do dia em nossa imprensa eram os “problemas” com uso do telefone. Assim como se fala hoje da energia, em relação à Equatorial, a zoada naquele tempo era em cima dos serviços telefônicos. A privatização havia ocorrido na década anterior, e ainda eram muitos os lances na briga pelo controle do serviço. A coisa virou caso até de polícia.

Como ocorre agora com a luz elétrica, exemplares da política alagoana partiram pra cima da empresa que controlava a telefonia. E aí veio algo que pode acontecer nos dias de hoje com a Equatorial: nossa insuspeita Assembleia Legislativa instalou a CPI da Telemar. Como editor de Política do extinto O Jornal, vi de perto aquele circo. Quiseram até prender o presidente da companhia.

As pressões partiam de todos os lados – incluindo os maiores veículos de comunicação do estado. Fiz entrevistas com o relator e o presidente da CPI criada na ALE. O clima era bruto contra os figurões da Telemar. Parlamentares estavam decididos a criar um palco para suas estripulias demagógicas.

A cúpula da Telemar acabou vindo a Alagoas para tentar a pacificação. Além de prestarem depoimento formal à CPI, dirigentes da empresa tiveram reuniões intermináveis com deputados. Falando sem rodeio, pairava a suspeita de chantagem e negociações pra resolver a parada.

Com o fim do recesso parlamentar, deputados estaduais voltam ao ritmo frenético de trabalho a partir desta terça-feira 18. Não será surpresa se o tema da energia elétrica chegar à tribuna da casa. Como falei, a preocupação é imensa entre os representantes do povo. Pode pintar novidade.

E o que seria? Por que não uma CPI da Equatorial, uma iniciativa para “esclarecer” os fatos? Apostaria todas as fichas que algum republicano deputado deve propor tal medida. O clima pra isso já está na praça. É uma forma de pressionar a empresa a “resolver” deficiências na entrega da luminosidade.

Aquela CPI da Telemar, assim como outras ao longo da história da Assembleia, terminou em pizza – com o perdão do clichê. Os tempos são outros, claro. Ou não? Com ou sem Comissão de Inquérito (especulo), que a Equatorial mobilize esforços para avançar na qualidade do serviço. Mas que faça isso tecnicamente, com sua engenharia e especialistas. Dar trela à politicagem seria um erro brutal.