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Para não variar, policiais civis ameaçam greve durante o Carnaval. É a velha estratégia da chantagem. Pelo que li na imprensa, a categoria fala em piso nacional e num reajuste imediato de 15%. Os velhos líderes sindicais alegam defasagem salarial – mas a realidade não é bem assim. Numa consulta ao Portal da Transparência, pode-se conferir que um agente recebe, em média, uma remuneração bruta acima de 7 mil reais. O valor está entre os mais altos de todos os estados. Os números não justificam a gritaria.

Em 2015, quando Renan Filho assumiu o governo, um agente recebia cerca de 4.800 reais. De lá para cá, houve uma relevante valorização desses profissionais, com reajustes acima da média nacional. Claro que os trabalhadores da segurança pública merecem o melhor salário possível. Mas não se pode negociar a partir de informações truncadas. Os dois lados devem jogar limpo.

Precisamente, o salário bruto é de 7.300 reais. Em muitos casos, esse valor sobe para mais de 8.000 reais, turbinado por benefícios e penduricalhos – coisas do serviço público brasileiro. Se é legal, tudo bem, mas este é mais um fator que o sindicato finge desconhecer. Com discurso que tenta driblar tal evidência, as lideranças sindicais tumultuam uma negociação que deveria ser estritamente técnica.

Na mesa para o diálogo, o governo já apresentou contraproposta aos iminentes grevistas. Os porta-vozes dos agentes, porém, rejeitam até agora o que foi oferecido. Ao esticar a corda, o sindicato aposta no radicalismo, numa forte pressão contra Renan Filho. Para isso conta com o apoio de parte da imprensa – aquela controlada por adversários políticos do governador. É o pior dos caminhos.

Em sua defesa, o governo cita os reajustes concedidos ao longo dos anos e anuncia novo concurso. Segundo a Secretaria de Planejamento, o Estado faz todos os esforços para equacionar as demandas dos policiais. A prova seria a disposição para um acordo, com acerto dentro da realidade.

Dei uma olhada na faixa salarial da categoria em outros estados do país. No Nordeste, Alagoas está na dianteira quanto ao nível de pagamento para agentes e escrivães. Este é um dado concreto, sem maquiagem. A versão de achatamento não faz sentido nenhum. É jogada para a arquibancada.

Além do Nordeste, o salário do policial civil por aqui é maior do que o de estados como Minas Gerais (4.000 reais), Goiás (5.100 reais) e Rio Grande do Sul (6.300 reais). Como se vê, falar em “valores aviltantes” pagos pelo governo de Alagoas, mais uma vez, é conversa de palanque. Assim não dá.

Volto ao Carnaval. É lamentável que, numa ação nada legítima, o sindicato da categoria tente forçar a barra para engrenar uma greve num período em que a segurança é mais que necessária. Resta evidente que se aposta tudo no terrorismo contra a população, maior vítima do plano descabido.

A mobilização de agora dos agentes civis – na base, repito, da chantagem pura e simples – lembra o movimento de policiais militares em abril de 2018. Para forçar reajuste, a turma ameaçava fechar o porto e o aeroporto. Jogos de futebol no Brasileirão ficariam sem segurança. Mas era tudo cascata.

Claro que defender aumento de salário para todo mundo é muito mais fácil do que cobrar seriedade nas reivindicações. É o que faço aqui. A demagogia e o populismo barato comovem os incautos de todos os quadrantes. Como não sou candidato a aplausos, prefiro a verdade fria dos números.