Brasileiro Fernando Meirelles capricha nos estereótipos na produção da Netflix "Dois Papas"

  • Bruno Omena
  • 13/02/2020 09:00
  • Resenha100Nota

Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e produzido pela Netflix, "Dois Papas" (2019) traz uma longa conversa entre o então Papa Bento XVI e seu futuro sucessor, o Papa Francisco. O filme é baseado no livro de Anthony McCarten e tem excelentes interpretações de Jonathan Pryce é Anthony Hopkins.

"Dois Papas" trabalha como porta voz do Papa Francisco, realçando sua simplicidade, virtudes e a aura de um cara legal, bem distante da imagem rígida e extremamente  conservadora do Papa Bento XVI.
Meirelles também dedica tempo para justificar o passado controverso do Padre Bergoglio (Papa Francisco). Alguns poderão empregar o termo da moda "passar pano", mas eu prefiro me manter otimista em acreditar na mudança do homem, que o diretor faz questão de frisar em vários momentos do longa.
Tecnicamente "Dois Papas" tem uma edição confusa e pouco fluida.  Há uma indecisão entre o tom documental e a forma mais tradicional de filmar. É nítido também a intenção de Meirelles em tornar o filme mais leve e descontraído acrescentando trilha sonora pop e humor. Essa informalidade pontual é interessante para atrair um número maior de espectadores.
Até a metade da projeção "Dois Papas" tem ritmo mais lento e fica preso ao contraste entre os dois membros da igreja. A cada cena a direção pinta os dois personagens com cores fortes para não haver dúvidas na cabeça do público quanto às diferentes filosofias. Em dado momento, pensei: "Ok, eu já entendi! Vamos adiante!".
A grande virada acontece quando a dupla vai à Capela Sistina, no Vaticano, para uma conversa franca sobre passado, presente e futuro.
É aí que o filme ganha fôlego, profundidade e melhora bastante.

7.5

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